Mostrando postagens com marcador Autores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Autores. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de junho de 2008

667 ÓCIO CRIATIVO

Estudiosa defende a preguiça como estratégia de resistência

Seg, 16 Jun, 07h54

São Paulo, 16 de Junho de 2008 - Scarlett Marton, conceituada professora de Filosofia Contemporânea da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), concedeu, na semana passada, uma palestra polêmica sobre workaholics. Além de apresentar as possíveis razões para este fenômeno, trouxe à tona uma visão nada convencional sobre o tema.

Disse que o homem contemporâneo precisa retomar a preguiça, como estratégia de resistência. "A atual compulsão por trabalho criou pessoas sem consciência da própria existência. E isso não é saudável, nem no ambiente corporativo, nem no lar, de maneira geral. Isso atrapalha o trabalho em si", diz Scarlett.

Para chegar a este pensamento, a filósofa recorreu à história do trabalho. "Na civilização greco-romana, o homem comum não tinha ocupação, ofício, profissão. Trabalho era sinônimo de degradação, tortura, era atividade para os escravos", diz. Ela conta que só no século XIII, o trabalho ganhou um certo status entre as sociedades européias, graças às atividades manuais exercidas nos monastérios. "E o reconhecimento como valor social se dá apenas no Renascimento, no século XVII. Nesse período é que é visto como elemento que aprimora, desenvolve o homem. A idéia de lazer vai ser então ser desenvolvida somente na década de 30 do século XX, com as férias remuneradas", afirma.

Em suas pesquisas, ela conta que a idéia do mesmo "lazer", hoje, vem acoplada a uma certa obrigação. "Você tira férias e se sente na obrigação de viajar, de ter muito dinheiro para pagar um belo hotel, consumir belos produtos", comenta. "Tudo nos é imposto pela propaganda".

E esta noção de diversão, conforme a professora, teria se intensificado há 30 anos, quando apareceram os workaholics. "O evento do trabalhador compulsivo é muito recente. O homem moderno não se dá conta de que o ócio concede mais consciência sobre nossa própria condição humana. É preciso exercitá-lo". Mas como exercer o ócio em uma sociedade que tanto nos cobra? "É preciso ter espírito crítico quanto às nossas atividades cotidianas, prestar atenção se nossos desejos são verdadeiros, ou fabricados e padronizados pela publicidade", critica.

Se a teoria é bem articulada, o certo é que não é tão simples colocá-la em prática. A opinião é do dentista Oscar Razuk, que criou uma teoria de otimização de tempo ao perceber que 72% de seus clientes, a maioria formada por executivos, abandona os tratamentos dentários simplesmente por que são workaholics. "São pessoas que se preocupam muito com o trabalho e que se esquecem da própria vida. No meu caso, dentista que sou, tento mostrar que a saúde bucal pode aumentar a expectativa de vida de uma pessoa em até quatro anos. Muitos alegam, porém, que não têm tempo para acabar o tratamento, pois perderiam tempo e isso quer dizer perder dinheiro. Acabei então por pensar em palestras que abordam justamente a importância de se perceber que a saúde interessa mais do que o trabalho ou o dinheiro", conta.

Cidinha De Conti, diretora da empresa de marketing Conti Ações Integradas está com sete ações diferentes nesta semana. Trabalha, em média, dez horas por dia, em ritmo frenético. Não se considera workaholic, mas admite: "meus amigos dizem que a primeira característica de um workaholic é a negação de que faz parte deste grupo", diverte-se.

Em cada evento que faz, cabe a ela criar, organizar e coordenar equipes, definir programas e logísticas. "Minha profissão exige muitos detalhamentos. Para que as ações dêem certo, é preciso que eu me entregue completamente. Assim, tenho que estar à disposição do trabalho em tempo permanente", afirma. Ela acredita que a definição workaholic acaba se anulando, se a pessoa tem prazer em seu trabalho. "No meu caso, trabalho é uma fonte de prazer. Posso trabalhar aos sábados, domingos, seguidamente, que isso não vai me incomodar", finaliza.

(Gazeta Mercantil - Alexandre Staut)

O Instituto Ócio Criativo é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, comprometida com a prevenção e erradicação do trabalho precoce no Brasil e no mundo.

http://www.ociocriativo.org/

666 ÓCIO CRIATIVO

O ócio criativo

De Domenico de Masi

São dez horas da manhã e você acabou de acordar, ainda de pijama, mas já está trabalhando. Toma um gole de café, lê alguns e-mails, coloca um CD, põe os pés para cima e as mãos atrás da cabeça e começa a organizar como será seu dia de trabalho.

Este deve ser o sonho de muita gente e é também a descrição perfeita de um trabalhador moderno segundo a teoria do ócio criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi.

De Masi, nesta entrevista feita livro, afirma que vivemos em uma sociedade, que ele chama de pós-industrial, onde o homem é apenas mais um elemento produtivo, não há distribuição igualitária do poder, do saber e do trabalho e uma verdadeira obsessão consumista faz do homem um autômato sem tempo para desenvolver-se como um todo.

Ao constatar que trabalhamos hoje, de forma tão primitiva como se fazia muito antes do surgimento da indústria e de que nossas horas de lazer são mais uma compensação pelas horas trabalhadas do que verdadeiramente lazer, o sociólogo propõe a teoria do ócio criativo. Aqui, “ócio” não significa preguiça, sedentarismo ou alienação. Talvez a melhor analogia que possa ser dada para exemplificar, seja a do poeta deitado na rede, compondo mentalmente seus versos. O ócio criativo significa, então, um exercício do sincretismo entre atividade, lazer e estudo, propondo ao homem que ele se desenvolva em todas as suas dimensões.

Domenico não prega a diminuição das horas trabalhadas, antes até um aumento, mas que a responsabilidade não seja tão estafante quanto a atividade de quebrar pedras. O que ele afirma é que deve haver uma fusão entre produção e prazer. Se a necessidade é a mãe das invenções, o ócio é, então, o pai das idéias.

O grande entrave para a nova base econômica proposta por Domenico é que ela não mais se fundaria na cumulação de bens materiais, na obsessão pelo trabalho ou pela produção, o que significa interferir não só em grandes conglomerados e multinacionais, mas atingir diretamente a cultura de países e, mais especificamente, o modo de pensar de bilhões de indivíduos educados para se tornarem produtores-consumidores.

Longe de ser anacrônica, a teoria de Domenico já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.

Mesmo àqueles para os quais a idéia do ócio criativo possa parecer intangível, a leitura ainda será proveitosa por se tratar de uma verdadeira aula de história da sociedade industrial.

por M.A.Pizzolatto

Sociedade Literária Prometheus

665 DOMENICO DE MASI

Domenico De Masi nasceu em Rotello, na província de Campobasso, no sul da Itália, no dia 1º de fevereiro de 1938. Viveu em três cidades diferentes: Nápoles, Roma e Milão. Viajou muito.

Para usar uma expressão adequada ao mundo cadenciado da escola, pode-se dizer que ele sempre foi “adiantado em um ano”. Tanto no sentido metafórico, porque nutre um interesse obstinado pelo futuro, como no sentido literal, porque pulou alguns anos do curso primário e continuou a queimar quase todas as etapas clássicas.

Aos dezenove anos, já publicava, na revista Nord e Sud, ensaios de Sociologia Urbana e do Trabalho. Com vinte e dois ensinava na Universidade de Nápoles. E depois, por mais de trinta anos, desenvolveu uma atividade frenética.

664 ÓCIO CRIATIVO

Com sua primeira mulher teve duas filhas, que criou durante alguns anos como “pai solteiro”. É apaixonado pela estética, por decoração e até pelos vários tipos de rendas e – acreditem – cuida da casa quase tanto quanto sua atual mulher.

Quando começou a encontrar-se com Serena Palieri para escrever O Ócio Criativo, sua agenda anual acumulava uma multiplicidade de tarefas: professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza de Roma, diretor da S3. Studium, a escola de especialização em ciências organizacionais que fundou, editor de uma coleção publicada pela Franco Angeli e de uma outra para a Edizioni Olivares, consultor de formação em administração, assessor cultural da Prefeitura de Ravello (a cidadezinha da costa amalfitana onde passa os meses de verão), além de autor de inúmeros artigos para revistas e jornais e, periodicamente, escritor de alguns livros. Durante a semana, dava regularmente suas aulas na universidade e muitas vezes viajava para outras cidades.

Já na escala cotidiana, chegava a ter cinco ou seis compromissos por dia. E como a tudo isso se somavam o estudo e a diversão, o seu dia acabava quase sempre durando vinte horas. Isto porque De Masi pertence àquele tipo de pessoa que dorme três-quatro horas por noite.

Onde fica “o ócio”, então?

663 ÓCIO CRIATIVO

Vamos observar a trajetória do professor: ele simplesmente passou do frenético ao humano.

Daqueles dez mil prazos e compromissos a cumprir, quantos sobraram hoje? A carga horária fixa das aulas na universidade e, ao longo da semana, uma reunião com os estudantes que estão para se formar, uma outra na S3, uma para a redação da nova revista Next, que ele dirige, um almoço na Aspen, um convênio sobre mobbling, uma entrevista a ser dada a algum jornal ou estação de rádio, alguns jantares com os amigos e o fim de semana dedicado ao cinema ou para uma fugida até Ravello, onde agora, fortalecido pelo título de cidadão honorário adquirido neste meio tempo, em vez de organizar concertos, como fazia há cinco anos, limita-se escutá-los.

Como sociólogo que estuda a organização social do trabalho, ele “otimizou” as suas condições logísticas. O edifício no qual mora e trabalha no Corso Vittorio Emanuele se tornou seu quartel general. No quinto andar encontra-se sua casa: é alugada, mas tem uma vista sobre os telhados mais lindos de Roma. Num apartamento dois andares abaixo’, a escola S3 estabeleceu a sua sede. E isto, ele explica, acabou com a perda de tempo e dinheiro necessários aos deslocamentos entre a casa e o escritório.

662 ÓCIO CRIATIVO

Uma outra novidade: decidiu passar a “exportar”as suas idéias, no lugar do seu corpo físico: em vez de continuar a girar pela Itália como um pião, recorre sempre com maior freqüência a teleconferências, escreve artigos ou livros em seu apartamento ou em Ravello.

De Masi conquistou condições de trabalho privilegiadas? Se deixarmos predominar o mesquinho sentimento da inveja, diremos que sim. Mas, para dizer a verdade, ele prova in corpore vili o que como sociólogo propõe como receita social: uma forma de teletrabalho feito em casa ou de qualquer lugar, descentralizado do escritório.

Continua a ir dormir às três e meia ou quatro da manhã, depois de ter lido, escrito e limpado o correio eletrônico, e continua a acordar às sete e quinze, quando começa Prima pagina, uma transmissão radiofônica que segue assiduamente para evitar a leitura dos jornais. Mas adicionou algum repouso diurno, em doses homeopáticas: meia hora depois do almoço, e quinze minutos antes do jantar.

661 ÓCIO CRIATIVO

De Masi admite que adoeceu de hiperatividade: “Não conseguia dizer não a nenhum compromisso”, observa. Admite que, subjetivamente, sua reflexão sobre o “ócio criativo” brotou como uma reação a toda aquela overdose. Assim como –num sentido objetivo – ela nasceu da constatação direta dos infinitos absurdos organizacionais que angustiam o trabalho nas empresas.

O "ócio" que De Masi prega não equivale à indolência (sobre o seu ambivalente prazer escreveu Roland Barthes com tanta sabedoria). E ainda hoje, se lhe perguntamos se nunca vadiou, jogando tempo fora, o seu “não” é acompanhado de um pulo da cadeira.

660 ÓCIO CRIATIVO

O Ócio Criativo Domenico de Masi

Domenico De Masi expôs suas idéias sobre a sociedade e o trabalho em diversos livros destinados aos amantes da Sociologia, como A Emoção e a Regra e O Futuro do Trabalho. Atento ao crescente interesse de um público mais amplo em seus conceitos e sua visão do futuro, De Masi elabora de forma acessível neste livro os temas da sociedade pós-industrial, do desenvolvimento sem emprego, da globalização, da criatividade e do tempo livre.

659 ÓCIO CRIATIVO

Em O Ócio Criativo, Domenico De Masi elabora não apenas os temas da sociedade pós-industrial, do tempo livre e da criatividade, como também as questões da globalização, do desenvolvimento sem emprego, da feminilização, do declínio das ideologias tradicionais e dos sujeitos sociais emergentes.

A conversa tem como pano de fundo uma profunda insatisfação com o modelo social elaborado pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, centrado na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. A este é contraposto um novo modelo com as seguintes premissas:

- baseado na simultaneidade entre trabalho, estudo e lazer; - centrado mais no crescente tempo livre do que no tempo decrescente dedicado ao trabalho; - atento à distribuição equânime da riqueza, assim como à sua produção de forma eficiente; - militante pela redistribuição do tempo, do trabalho, da riqueza, do saber e do poder; - no qual os indivíduos e a sociedade são educados para privilegiar a satisfação de necessidades radicais, como a introspecção, o convívio, a amizade, o amor e as atividades lúdicas.

658 ÓCIO CRIATIVO

Criatividade e Grupos Criativos Domenico De Masi

A criatividade é o recurso mais fecundo com que o homem, desde sempre, procura derrotar os seus inimigos atávicos: a fome, o cansaço, a ignorância, o medo, a feiúra, a solidão, a dor e a morte. Em cada esquina do planeta, em cada fase da sua evolução, a criatividade humana consegue atribuir uma forma ao caos, um significado às coisas. A primeira parte deste livro trata do misterioso continente do espírito que é a criatividade humana, daquela tensão inquietadora que trazemos dentro de nós e que nos conduz a corrigir a natureza com a cultura, deixando aos nossos filhos um mundo diferente daquele que herdamos de nossos pais. A segunda parte busca uma definição e uma explicação dos processos criativos: o que é a criatividade, o que é necessário para determiná-la, quais são as formas específicas que está assumindo na nossa sociedade pós-industrial, quais contribuições para a sua compreensão são trazidas pela neurologia, pela psicologia, pela sociologia e por todas as ciências que se atormentam em busca de seu fascinante segredo?

657 ÓCIO CRIATIVO

Em Criatividade e Grupos Criativos, Domenico De Masi refaz o percurso da história da humanidade à luz da tensão febril que a impele, sem parar, a corrigir a natureza com a cultura: da roda aos óculos, do paraíso à Magna Carta, das cidades da Mesopotâmia à linha de montagem, das catedrais góticas ao Projeto Genoma, do cinema ao jazz. A maior parte das criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de coletividades nos quais cooperam personalidades concretas e personalidades fantasiosas, motivadas por um líder carismático, por uma meta compartilhada. Hoje, mais do que nunca, todas as descobertas científicas e as obras-primas artísticas não decorrem do lampejo de gênio de um único autor, mas do aporte coletivo e tenaz de trabalhadores, troupes, teams, squadre, equipes. Decorrem das progressivas aproximações coletivas, da experiência milenar de clãs e tribos, da imaginação de um povo, do espírito de uma época. Não são mais do que etapas de um processo sem pontos de partida nem pontos de chegada, em que forças contraditórias como linhas retas e linhas curvas, razão e intuição incessantemente se alternam e entrelaçam. Talvez na sociedade pós-industrial esses dois opostos possam finalmente chegar a uma síntese feliz. Para isso, De Masi apela às neurociências, à psicanálise, à psicologia, à epistemologia e sobretudo à sociologia: compreendendo as dinâmicas secretas do processo criativo, quem sabe não se possa aumentá-lo e colocá-lo em sintonia com a eterna aspiração humana pela felicidade. Segundo De Masi, "este livro representa a síntese de todas as idéias que elaborei no decurso da vida, a propósito da mutação social, do trabalho humano, da criatividade, da latinidade, do ócio criativo. O meu desejo é que ele sirva para tornar os leitores mais felizes, mais conscientes de que a vida merece ser vivida, liberada, valorizada; mais decididos a remover as barreiras à criatividade e em satisfazer as próprias necessidades de introspecção, amizade, amor, lazer, beleza e convivência".

sábado, 5 de abril de 2008

498 JEAN DUVIGNAUD

Jean Duvignaud (La Rochelle, 22 de Fevereiro de 1921 - La Rochelle, 17 de Fevereiro de 2007) foi um escritor, crítico de teatro, sociólogo, dramaturgo, ensaísta, cenógrafo e antropólogo francês.

Duvignaud foi professor na Universidade de Túnis, depois na cidade francesa de Tours (1965-1980) e na Universidade Paris-VII até se aposentar em 1991.

Ele fundou várias revistas, entre elas a Argumentos com o filósofo Edgar Morin, nos anos 50, e Causa comum com o escritor Georges Perec e o filósofo Paul Virilio, nos anos 70. Jean Duvignaud é autor de "Sociologia do teatro" (1965), "Chebika" (1968), relato de uma pesquisa etnográfica no Magreb, e "Festas e civilizações" (1973). Dirigia a Maison des cultures du monde (Casa das culturas do mundo) em Paris.

Na sua obra "Fêtes et civilisations" (Festa e Civilizações), ele tenta compreender este momento da vida social, onde uma comunidade se encontra reunida por uma actividade, livre das suas ordens e das suas hierarquias. Noutra, interroga-se sobre os lugares dedicados ao tempo e aqueles dedicados ao espaço.

Faleceu na sua cidade natal, cinco dias antes de completar 86 anos.

497 JEAN DUVIGNAUD

Bibliografia

  • L'Acteur, esquisse d'une sociologie du comédien, Paris, Gallimard, 1965. Rééd. L'Archipel, 1995 (ISBN|2-909241-54-8)
  • Durkheim, sa vie, son œuvre, Paris, PUF, 1965
  • Sociologie du théâtre (Sociologia do teatro), Paris, PUF, 1965. Rééd. Quadrige, 1999 (ISBN|2-13-050244-X)
  • Georges Gurvitch, symbolisme social et sociologie dynamique, Paris, Seghers, 1969
  • Anthologie des sociologues français contemporains, Paris, PUF, 1970
  • Spectacle et société, Paris, Denoël, 1970
  • Introduction à la sociologie, Paris, Gallimard, 1971
  • Sociologie de l'art, Paris, PUF, 1972
  • L'Anomie, hérésie et subversion, Paris, Anthropos, 1973
  • Le Langage perdu, essai sur la différence anthropologique, Paris, PUF, 1973
  • Fêtes et civilisations (Festa e Civilizações), Paris, Weber, 1974
  • Le Théâtre contemporain, culture et contre-culture, Paris, Larousse, 1974 (ISBN|2-03-035027-3)
  • Le Ça perché, Paris, Stock, 1976
  • Le Don du rien, essai d'anthropologie de la fête, Paris, Plon, 1977
  • Le Jeu du jeu, Paris, Balland, 1980 (ISBN|2-7158-0235-8)
  • L' Or de la République, Paris, Gallimard, 1984 (ISBN|2-07-037564-1)
  • Le Propre de l'homme, histoires du comique et de la dérision, Paris, Hachette, 1985 (ISBN|2-01-011147-8)
  • La Solidarité, liens de sang et liens de raison, Paris, Fayard, 1986 (ISBN|2-213-01830-8)
  • Chebika, étude sociologique, Paris, Gallimard, 1978. Rééd. Paris, Plon, 1990 (ISBN|2-259-02327-4)
  • La Genèse des passions dans la vie sociale, Paris, PUF, 1990 (ISBN|2-13-042635-2)
  • Dis l'Empereur, qu'as-tu fait de l'oiseau ? (récit), Arles, Actes Sud, 1991 (ISBN|2-86869-777-1)
  • Fêtes et civilisations ; suivi de La fête aujourd'hui, Arles, Actes Sud, 1991 (ISBN|2-86869-776-3)
  • Perec ou La cicatrice, Arles, Actes Sud, 1993 (ISBN|2-7427-0087-0)
  • Le singe patriote. Talma, un portrait imaginaire (roman), Arles, Actes Sud, 1993 (ISBN|2-7427-0022-6)
  • L'oubli ou La chute des corps, Arles, Actes Sud, 1995 (ISBN|2-7427-0600-3)
  • Le pandémonium du présent, idées sages, idées folles, Paris, Plon, 1998 (ISBN|2-259-18644-0)
  • Le prix des choses sans prix, Arles, Actes Sud, 2001 (ISBN|2-7427-3224-1)
  • Les octos, béant aux choses futures, Arles, Actes Sud, 2003 (ISBN|2-7427-4382-0)
  • Le sous-texte, Arles, Actes Sud, 2005 (ISBN|2-7427-5437-7)
  • La ruse de vivre, état des lieux, Arles, Actes Sud, 2006 (ISBN|2-7427-6013-X)
é ainda autor de numerosos prefácios de monografias e de trabalhos colectivos.

496 FESTAS E CIVILIZAÇÕES - JEAN DUVIGNAUD

FESTAS E CIVILIZAÇÕES – JEAN DUVIGNAUD

PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

Este livro deve muito ao Brasil

O Brasil que visitei pela primeira vez em 1960 e onde tenho voltado, desde então, quase todos os anos> País que percorri de Sul a Norte, que vi modificar-se e permanecer o mesmo – e, na medida que é melhor conhecido, maiores dificuldades oferece para a formulação de uma imagem real ou de um simples esboço

Um mundo que tive a oportunidade de aproximar-me pela mão de Roger Bastide... No meu primeiro regresso, lhe falei do terreiro Casa Branca na rua Vasco da Gama, em Salvador, onde também encontrara Pierre Verger, outro etnólogo de talento. Bastide disse-me então que o candomblé era uma ilha em um arquipélago de locais festivos – festas minúsculas, disseminadas por todo país, em que as práticas africanas, indígenas e cristãs mesclam-se segundo químicas cada vez mais diferentes. A sua existência, além disso, é independente das manifestações mais abrangentes, célebres como os grandes Carnavais do Rio ou da Bahia, densas e ricas de significados como o “Bumba-meu-boi” dos vaqueiros nordestinos.

(...)

495 FESTAS E CIVILIZAÇÕES - JEAN DUVIGNAUD

ESTE MUNDO QUE NÃO PODEMOS MAIS DESTRUIR

(...)

Freud disse que “a base em que repousa a sociedade humana é, em última análise, de natureza econômica. Não possuindo meios suficientes de subsistência para permitir aos seus participantes viver sem trabalhar, a sociedade é obrigada a limitar o número de membros e a desviar a sua energia da atividade sexual para o trabalho” (Introdução à Psicanálise). Obviamente, esta universalidade bastante vaga da “sociedade humana” é contestável, porém, o mesmo não se pode dizer numa perspectiva muito próxima da visão de Darwin. Freud percebe que a economia de mercado, ao transferir a energia da felicidade para o trabalho, cometeu, sem dúvida, uma monstruosidade que continuará a ser a testemunha de uma doença social, de uma sociose. Outras possibilidades existiam. Porque a Europa destruiu em si as suas alternativas para a plenitude e desviou-se de um universo onde reinaria a comunicação generalizada e a festa, não quer isto dizer que ela (capitalista ou socialista) constituía um modelo absoluto. É preciso deixar o virtual e o possível nos invadirem ou então habituarmo-nos a um mundo que nunca mais poderemos modificar ou destruir.

494 FESTAS E CIVILIZAÇÕES - JEAN DUVIGNAUD

Convergem os caminhos. O barroco é uma manifestação da anomia em que o anseio infinito dos homens assume formas aberrantes na ocasião em que as normas da cultura e os hábitos perderam o vigor. O Ocidente poderia haver estimulado outros valores além do círculo da economia, da acumulação e do trabalho. Teria cedido à tração poderosa do consumo suntuário e da mística da dádiva. Mas escolheu uma outra via e o capitalismo ou socialismo, nas sociedades industriais, falam a mesma língua e atribuem a mesma finalidade aberrante e monstruosa às coletividades humanas – o trabalho, de preferência ao bem-estar e à felicidade.

Assim procedendo, o Ocidente separou-se definitivamente de todas as outras civilizações. Mas posteriormente ele inoculou-as com o vírus da produtividade e, com freqüência, as “novas classes dirigentes” das jovens nações têm pautado os seus rumos pelas mesmas notas dos antigos colonizadores europeus. Desse modo, um mal-entendido pesa sobre o mundo.