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sábado, 9 de abril de 2011

1459 HUMANO, DEMASIADO HUMANO


Galera, quero me retratar aqui
Ontem publiquei uma denúncia no facebook, que vi através do twitter do José Ilan acerca de uma comunidade do Orkut que exaltava o rapaz que assassinou essas crianças na escola de Realengo. Como tenho um perfil no Orkut que me atende inclusive profissionalmente, tenho ficado bastante preocupado com a veiculação de ideologias de caráter discriminatório neste canal. Resolvi publicar a denúncia em outros canais (como o facebook), pois acho que o Orkut precisa se posicionar mais depressa em relação a esse tipo coisa. Tudo ok. Só que o link mencionava o termo “monstro de Realengo”. Quero me retratar aqui, pois embora seja óbvio a barbárie destes atos, assassinatos, deste rapaz – e entendo meus sentimentos às famílias que tiveram perdas neste sinistro evento – ele não é um “monstro”, mas “humano, demasiado humano” ou “humano, miseravelmente humano”, como diria meu amigo Dines. Sem dúvida, quem leu trechos da carta que o assassino deixou, vê com clareza um indivíduo no perigoso limiar entre o psicótico e a psicopatia. Como “o sujeito psicológico é aquele que se desconhece”, ninguém pode considerar que não vá cometer atos “surtados”, qualquer pessoa pode cometê-los. Todos nós, de bem, queremos expandir o bem, tratar pessoas bem e receber o bem de volta, mas a verdade é essa: qualquer pessoa pode cometer um ato de violência, numa situação limite ou momento de surto ou mesmo noutros males onde, por exemplo, o indivíduo comete atos bárbaros e depois se esquece... é tênue o limiar da loucura. É óbvio que o assassino, pelo cenário que construiu e mensagem que deixou, era um psicopata bomba-relógio prestes a explodir. Neste sentido, diferente da pessoa de bem, que cultiva valores, mas que pode sim, num dia de “surto”, fazer algo sinistro. Mas essa relação, entre a possibilidade do surto na pessoa de bem e a barbárie efetiva de um psicopata, revela uma coisa importante: todo indivíduo carrega uma sombra que, se não for conhecida e “trabalhada”, pode explodir da pior maneira, seja num indivíduo violento, ou no bonzinho. Nossas sombras se manifestam em nossos atos violentos, antiéticos, desumanos, em processos dos quais somos inconscientes. Assim, quando chamamos de monstro esse indivíduo, psicopata, estamos manifestando a nossa própria sombra, além de ignorância psicológica. Ele é tão humano quanto qualquer um, sem dúvida, não teve a oportunidade de vivenciar valores e reproduziu e devolveu à sociedade a violência e indiferença com que lidou. A grande questão é:
Como um indivíduo como esse passou por um processo pedagógico e não foi encaminhado para um serviço de psicologia?
Ou realmente nossas escolas são mega despreparadas para formar indivíduos ou nós, cegos de nós mesmos, continuamos reproduzindo sombras em níveis mais ou menos sinistros, que nos impedem de enxergar com clareza a direção para a construção de uma sociedade mais equilibrada. “Humano, demasiado Humano”

terça-feira, 9 de outubro de 2007

248 TROPA PARA A ELITE II

Estou postando aqui novamente
este texto para fomentar essa questão:
A maior violência do Brasil é a miséria.
Na postagem acima a repercussão no orkut do texto
"Lamentável o filme "Tropa de Elite", construído sobre ideologias reacionárias e violentas, não tem profundidade alguma na análise do dilema social brasileiro e tão somente reforça todo o mecanismo de exclusão social que, em verdade, é o fundamento desse problema que envolve o tráfico de drogas e violência social. Brucutus, como "pitbull" ou "Rambos", não são a solução para dilema algum, mas simplesmente a expressão da falta de visão e de capacidade de análise daqueles que deveriam ser responsáveis por encontrar as soluções que a sociedade precisa para continuar existindo da forma mais íntegra e ética possível.
Perguntinha rápida: Vocês sabem quando surgiu a primeira polícia militar no Brasil?
Foi em 1809. Por que? Por que em 1808 a Coroa Portuguesa se transferiu para o Brasil e ali se desenvolveu o processo de formação de uma elite e aristocracia brasileiras. Um ano depois, essa elite reuniu seus melhores "capitães-do mato" e fundou a Polícia Militar do Rio de Janeiro, a primeira do Brasil, para proteger seus interesses e propriedades do populacho...
Muita coisa mudou de lá para cá.
Mas isso continua igual: nossa elite não se identifica com nosso povo, não está nem aí para ele e, apesar de sermos um país rico, mantêm milhões de co-irmãos, compatriotas na maior miséria...
Miséria é violência.
A Miséria é a maior violência brasileira e não o tráfico.
O tráfico surge da miséria. Da miséria social de nosso povo e da miséria espiritual de nossa elite (que na verdade é quem mais consome as drogas que os traficantes comercializam).
Miséria é a violência histórica do Brasil".

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

231 TROPA PARA A ELITE

Lamentável o filme "Tropa de Elite", construído sobre ideologias reacionárias e violentas, não tem profundidade alguma na análise do dilema social brasileiro e tão somente reforça todo o mecanismo de exclusão social que, em verdade, é o fundamento desse problema que envolve o tráfico de drogas e violência social. Brucutus, como "pitbull" ou "Rambos", não são a solução para dilema algum, mas simplesmente a expressão da falta de visão e de capacidade de análise daqueles que deveriam ser responsáveis por encontrar as soluções que a sociedade precisa para continuar existinto da forma mais íntegra e ética possível. Perguntinha rápida: Vocês sabem quando surgiu a primeira polícia militar no Brasil? Foi em 1809. Por que? Por que em 1808 a Coroa Portuguesa se transferiu para o Brasil e ali se desenvolveu o processo de formação de uma elite e aristocracia brasileiras. Um ano depois, essa elite reuniu seus melhores "capitães-do mato" e fundou a Polícia Militar do Rio de Janeiro, a primeira do Brasil, para proteger seus interesses e propriedades do populacho... Muita coisa mudou de lá para cá. Mas isso continua igual: nossa elite não se identifica com nosso povo, não está nem aí para ele e, apesar de sermos um país rico, mantêm milhões de co-irmãos, compatriotas na maior miséria... Miséria é violência. A Miséria é a maior violência brasileira e não o tráfico. O tráfico surge da miséria. Da miséria social de nosso povo e da miséria espiritual de nossa elite (que na verdade é quem mais consome as drogas que os traficantes comercializam). Miséria é a violência histórica do Brasil.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

201 VAI COM CALMA

O excesso de esforço produz resultados inesperados.
  • Ao líder vaidoso falta estabilidade.
  • Se tentares apressar as coisas, a nada chegarás.
  • Quem busca aparentar brilhantismo, não é um iluminado.
  • Líderes inseguros buscam promover-se.
  • Líderes impotentes fazem valer sua posição.
  • Não é grande santidade afirmar que se é santo.

Qualquer forma de egocentrismo ou de egoísmo obscurecerá o teu eu profundo e te cegará para o modo como as coisas acontecem.

Considera a possibilidade de ir mais devagar, nem que seja um pouco, em um pequeno detalhe. O sol só chega ao topo do céu ao meio-dia, mas o homem quer fazê-lo o quanto antes possível. E todo mundo sabe que "a pressa é inimiga da perfeição". Às vezes, quando vivemos ciclos de estagnação, estamos maturando para, no devir, dar o passo seguinte. Ninguém precisa correr de nada. Está tudo certo e perfeito e na mais profunda ordem. Se percebêssemos isso, teríamos uma vida bem mais harmoniosa. Não construiríamos sociedades desarmônicas com os ciclos naturais, como são todas as sociedades construídas sob o signo da pressa e da opressão. O dinheiro não vem por trabalharmos 18 horas por dia, mas se usarmos com inteligência nossa energia criativa. E para usar a criatividade, ócio é fundamental. Slow down! Use sua criatividade e seja mais relax, feliz e próspero.

domingo, 16 de setembro de 2007

190 REIKITERAPIA

REIKITERAPIA é um técnica japonesa que vêm conquistando muitos praticantes em todo o mundo. Desenvolvida no início do século passado por Mikao Usui, um monge budista, a REIKITERAPIA é uma prática de canalização de energia, toque e trabalho corporal que objetiva equilibrar a estrutura sutil ou energética dos indivíduos. De acordo com as concepções e premissas que estruturam essa técnica, toda doença atua em primeira instância nesta estrutura energética. Portanto, sua Racionalidade se fundamenta em um paradigma BIOENERGÉTICO. Assim sendo, seus pro-cessos diagnósticos e terapêuticos se baseiam nos CORPOS SUTIS, nos CHAKRAS, nos NADIS, MERIDIANOS e PTOS. ACUPUNTURAIS. Por ser profundamente relaxante é indicada no tratamento de inúmeras doenças, pois seu campo de possibilidades terapêuticas abarca desde as doenças psicossociais (como depressão, síndrome de pânico, etc.), até as doenças consideradas físicas (desde leves, como dores em geral, indisposições, etc., bem como doenças mais sérias), não havendo restrições ao seu uso. Nos EUA existe hoje, um grande contigente de Terapeutas praticantes de REIKI trabalhando em Hospitais e Clínicas. O atendimento em média dura 1 hora e pode ser realizado em qualquer pessoa de qualquer idade. Da mesma forma, por ser uma excelente técnica de autotratamento, seu ensino é indicado a qualquer pessoa, não se limitando aos profissionais terapeutas.
REIKITERAPIA é reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
INFORMAÇÕES:
(21) 2244-2708

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

85 BRASIL EM CHUTEIRAS

O Brasil em Chuteiras Artigo escrito e publicado em 1996, para a 2ª edição da Revista Eletrônica Ruído, quando foi dedicado a Nélson Rodrigues, Jorge de Lima, Garrincha e Denner) É de uma obviedade ululante – como diria o imortal Nélson Rodrigues – dizer que o futebol é um dos mais importantes ícones que representam esta terra – que em um determinado momento histórico foi cunhada como Brasil – e seu povo – os brasileiros. Porém, esta terra brasilis, com apenas 500 anos de colonização e/ou imposição de uma civilidade estrangeira e impetuosa, ainda se questiona acerca de sua identidade. E, com Jorge de Lima, perguntamos: “foi negro, foi índio ou foi cristão”? Quem foi que te formou Brasil, Brasil? Te vendo, com os olhos do poeta, afirmo: foi negro, foi índio e cristão! Percebemos que o que era recente, talvez imaturo, é na verdade uma ilusão. Sim, nosso complexo de vira-lata não tem razão de ser! Não tem fundamentação sangüínea nem anímica... Brasil, tu carregas o peso da tua ancestralidade. Negro, Índio e Cristão! O futuro chegou Brasil, o futuro chegou. Teu sonho de futuro – teu eterno sonho – está entrando no processo chamado realidade – é, no Brasil, até realidade é processo. E nossa alma saturada de poesia, samba e malícia, exerce no futebol, na arte do drible, do toque de bola e do gol de placa, o fim de uma crônica anunciada. O futebol brasileiro é o exercício de nossa originalidade tropical. Dentro das quatros linhas, como se estivéssemos entre quatro paredes com a mulher amada, expressamos – mais uma vez recebendo a bola de Jorge de Lima – o ventre, os olhos, o modo de amar, a língua, os modos de rir, o jeito de andar, a pele, o gozo, o coração negro, índio e cristão. O futebol brasileiro é a liberação, a transcendência radical das experiências cotidianas, da concentração de renda, do descaso público, da irresponsabilidade das elites, da falta de memória do povo, da prostituição infantil, dos Sivam, das CPIs, dos PCs, dos Joãos-ninguém-alves, dos sem-terra, dos sem-modem, da mediocridade das táticas, dos idiotas da objetividade, etc., etc., etc. Sim, o futebol é um ícone nacional. Um ícone que se construiu com os pés – santos pés! – de folclóricos brasileiros e qualquer lista ou seleção feita é injusta: craques fantásticos seriam preteridos. E, embora o óbvio logo ressalte Pelé – nosso Rei Apolíneo – num uníssono de burra unanimidade, ressaltamos nossa flecha fulniô, Garrincha – nosso Rei Dionisíaco. Ninguém como ele encarnou em campo – como na cama – o espírito livre e moleque do brasileiro. Se sua vida pode também ser considerada uma tragédia é por que, muito mais que humanas, as tragédias são divinas. Como o trovão e o relâmpago, Garrincha era uma força viva da natureza em campo a exortar nosso complexo de vira-lata, “como quem chupa um chica-bom”... E nós, pobres almas caídas e mortais, ainda tentamos compreendê-lo. Por isso, insistimos em nossa servilidade, no medo diante do europeu, nosso “herói civilizador”. E assim, senhoras e senhores, pasmem: depois de darmos com os burros n’água com o melhor futebol apresentado por uma seleção depois do brilho brasileiro em 70, na fatídica Copa da Espanha, em 1982, resolvemos assumir de vez nossa imitação do europeu. E levamos na nossa cara de vira-lata, de um Canniggia abusado – de um latino, sim de um latino argentino! – um tapa de desprezo. Ainda assim, continuamos o martírio da imitação, da falta de indentidade, como se a cad Copa do Mundo perguntássemoss: quem somos nós, quem somos nós, os vira-latas? Mas por detrás das explicações dos especialistas, das ocas estatíticas da tv, dos parreiras inférteis e dos atletas-jesus, nosso futebol, como que investido de espírito taoísta, resolve vencer o inimigo das entranhas do próprio inimigo: é o futebol pobre, da falta de criatividade, da ausência de arrojo, dos cabeças-de-área, dos cabeças-de-bagre, que vence, que leva uma Copa? Joguemos então para vencer! Portanto, em 1994, nos EUA, mais importante que ao mundo, o Brasil mostrou a si mesmo que ele é tão bom quanto o europeu, seu espelho de mediocridade... tão bom que é capaz de vencer como eles vencem: sendo pragmáticos! Ah! Exorcizamos demônios defensivistas e, tetracampeão, o Brasil voltou a ser Brasil. E logo proliveraram, como se esperassem ansiosamente, os ronaldinhos, os juninhos, os sávios, os marcelinhos, os edmundos, os roberto carlos, os túlios, os giovanis, os didas, os rivaldos, etc., etc., etc. O Brasil reencarnou seu velho espectro: somos, novamente, uma pátria de chuteiras!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

47 RESENHA TEXTO CLIFFORD GEERTZ

RESENHA: “Do ponto de vista nativo: a natureza da compreensão antropológica”, IN.: A Interpretação das Culturas. Clifford Geertz.
INTRODUÇÃO “O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela a Baía de Guanabara O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara pareceu-lhe uma boca banguela. E eu, menos a conhecera mais a amara? sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela, o que é uma coisa bela?” O Estrangeiro, Caetano Veloso.
Talvez a mais importante lição que um antropólogo aprende como praticante deste saber específico que é a Antropologia, seja a percepção da distinção entre olhar e ver. A Antropologia, como qualquer saber, tem seu caráter esotérico, que se revela pouco a pouco, a medida em que se vai avançando na apreensão de suas questões teóricas e metodológicas, mas, no caso específico do saber antropológico, é quando se vai a campo entender o “nativo” que se descortina o grande paradigma para o aprendiz de antropólogo: como entender o “outro”? Partindo de nossas questões e/ou interesses ou das questões e/ou interesses que este “outro” manifesta? E mais: não será nossa visão viciada, construída a partir de enigmas que nós mesmos criamos e tentamos resolver - embora comumente nem mesmo isto conseguimos -, como se o mais importante para nós fosse o exercício intelectual em si e a compreensão fosse um mero detalhe? Submergir destas questões, talvez mais ácidas do que profícuas, pode ser o penoso tributo que nós, praticantes desta arte de interpretar - de ver - o mundo, temos de pagar para termos testada nossa capacidade de crer que é possível compreender o “outro”, seja ele tão distante de nós como um Yolmo nepalês, ou tão próximo como minha vizinha que é mãe-de-santo na Umbanda. Sim, definir a Antropologia como um exercício de fé na possibilidade da intersubjetividade é o terreno - arenoso, sem dúvida - no qual erguemos nossa prática e que nos leva a “partir por mares nunca antes navegados”, atraídos por aquilo que é - ou pode ser - familiar no que nos é exótico, e pelo que é - ou pode ser - exótico no que nos é familiar. Por este motivo, a observação do “outro” constitui-se na principal modalidade de apreensão do saber antropológico. Fazer Antropologia - ou antropologizar - é aprender a ver o que nos distingue e singulariza e o que nos iguala e universaliza com relação ao objeto de nossa observação. Daí o porquê de o antropologizar implicar necessariamente em relativizar . Especialmente relativizar o olhar. O Olhar é a expressão daquela experiência cotidiana de, por exemplo, passar de ônibus pelo aterro do Flamengo ou de carro pela ponte Rio-Niterói ou, ainda, de barca da Praça XV ao Gragoatá e desfilar nossos olhos pelo mar da Baía como se estivéssemos tomados pelo samba de Paulinho da Viola que nos diz: “não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”, e assim fôssemos lembrando das alegrias e vicissitudes mais diversas de nossa vida, ao invés de percebermos o quanto esta Baía é poluída, o quanto os aterros a estragaram, o quanto as praias deviam ser lindas em 1500 antes do “processo civilizatório” desembarcar aqui, a antiga Pindorama. Olhar a Baía é ser “cego de tanto vê-la”, posto que a Baía é a nossa cara, faz parte de nossa identidade, está em nossa alma e por isto suscita em nós uma passionalidade. O Ver, por sua vez, necessita de um processo iniciático, pois constitui uma técnica, embora possamos também “trazer na alma”, ver implica em desenvolvimento. O ver antropológico é o olhar de um estrangeiro diante da Baía de Guanabara, capaz de racionalizar o que para nós (o “outro” deste estranho) é cartão postal ao mesmo tempo em que percebe que nós olhamos diferente. Percebe, pois, que este estranho também é um “outro” e, portanto, possui suas imagens, totens, ícones, mitos, etc., etc., que “estão em sua alma” - nada mais cultural do que aquilo que se inscreve na alma - e que são passíveis de relativização pelo olhar de outro estranho. Ver não é olhar com os olhos alheios, mas sobrepor ao seu próprio olhar a possibilidade e realidade de outros olhares. Assim, ver é um experiência interpretativa e comparativa, um exercício de relativizar nossos olhares e enquadrá-los como mais um entre os diferentes modos de olhar um mesmo objeto. Ver é tentar ir além da experiência cotidiana que comumente nos basta. Ver é a arte de olhar.
“Do ponto de vista nativo: a natureza da compreensão antropológica”.
Geertz trata da questão da compreensão em Antropologia e também de qual o papel desta disciplina no mundo de hoje, depois que os dois fenômenos ligados as energias que a criaram - a expansão do Ocidente e a difusão de uma crença salvacionista nos poderes da Ciência - passaram a sofrer uma série de questionamentos. Geertz dialoga fundamentalmente com: 1- o Positivismo, que apregoa a Ciência Positiva como a única relação cognitiva importante com a realidade externa; 2- George Herbert Mead, filósofo e psicólogo pragmatista norte-americano, que argumenta a favor de uma compreensão baseada na capacidade de “assumir o papel do outro” - um tipo de empatia. 3- Bronislaw Malinowski, antropólogo que insistia na noção de que, no trabalho de campo, a “observação participante” era indispensável pois somente fazendo o que os nativos faziam seria possível entender o que isto significaria para eles. Geertz rejeita tais teses, especialmente a de que uma sensibilidade fora do comum, uma empatia especial por parte do observador, pode servir de base à compreensão antropológica. O autor propõe, então, um método hermenêutico - ou interpretativista - em que uma interpretação se soma às outras, uma série de percepções é contrastada com outras. A fim de realizar estas comparações, Geertz focaliza seu olhar sobre as formas simbólicas que são facilmente observáveis e compreensíveis. Partindo de símbolos definidos com clareza e comparando-os uns com os outros, podemos lentamente construir uma compreensão. O texto começa relatando a demolição do mito do “antropólogo camaleão” - “um milagre de empatia”- justamente pelo homem que talvez mais se ocupou em criar este mito: B. Malinowski. Rompidos os tratados e demolidos os mitos, Geertz levanta a questão: o que acontece com o “entender” quando não é mais possível “ver com os olhos de outrem”? A verdadeira questão levantada por Malinowski ao demonstrar que, no caso dos nativos, não é preciso ser um deles para conhecê-los, seria perceber que papéis desempenham dois tipos de conceitos - conceitos próximos da experiência e conceitos distantes da experiência - na análise antropológica. Estes termos foram formulados pelo psicanalista Hans Kohut e assim definidos por Geertz: Conceitos Próximos da Experiência é aquele que um indivíduo pode por si mesmo empregar naturalmente para definir o que ele e seus companheiros vêem, pensam, imaginam, etc. e que ele compreenderia de imediato se fosse aplicado por outros da mesma maneira. Conceitos Distantes da Experiência é o que vários tipos de especialistas empregam para fazer avançar seus objetivos científicos, filosóficos, etc. A relação entre ambos conceitos é de gradação e não de oposição. Retomando, a verdadeira questão seria perceber como, em cada caso, estes dois conceitos devem ser distribuídos de modo a produzir uma interpretação do modo pelo qual um povo vive que não seja nem aprisionada dentro de seus horizontes mentais nem sistematicamente alheia “às tonalidades distintivas de sua existência”? Pensando deste modo - isto é, em termos de como a análise antropológica deve ser conduzida e seus resultados enquadrados, em vez de que constituição psíquica os antropólogos devem ter - Geertz desconstrói a noção do “ver as coisas do ponto de vista do nativo”. A tarefa antropológica seria então apreender conceitos que para outras pessoas estão próximos da experiência, e fazê-lo suficientemente bem para ligá-los de forma esclarecedora aos conceitos distantes da experiência que os teóricos formularam para captar os aspectos gerais da vida social. O jogo é, então, tentar descobrir o que ele pensam que estão fazendo. Geertz cita como exemplo deste empreendimento seu trabalho em três sociedades que pesquisou: Java, Bali e Marrocos
[1].
Sua preocupação principal era tentar determinar como as pessoas que vivem nessas sociedades se definem como pessoa, o que entre na idéia que formam da identidade de um javanês, um balinês ou um marroquino. Sempre, em cada caso, sem se imaginar como outra pessoa, mas procurando e analisando as formas simbólicas - palavras, imagens, instituições, comportamentos, etc. - em termos dos quais, em cada lugar. As pessoas realmente se representam para si mesmas ou umas para as outras. Ou seja, Geertz defende que relatos de subjetividade de outros povos podem e devem ser construídos sem se recorrer a uma capacidade “paranormal” e que o sentido que se obtém da verdadeira natureza de nossos informantes não provém da experiência da aceitação em si - a aceitação do outro em relação a nós como pessoa digna de suas confidências - mas da capacidade de construir suas formas de expressão - sistemas simbólicos - que essa aceitação permite desenvolver. Para Geertz esta experiência descrita acima constrói o papel da Antropologia no mundo de hoje: justamente auxiliar o convívio entre as pessoas e povos de todo mundo fortalecendo uma comunicação cultural no mais amplo sentido. Não somos o outro - apenas, e isto é muito, nós mesmos - mas, no exercício da coexistência, podemos entendê-lo e sermos por ele compreendido e, assim criamos o terreno para a mais humana das experiências: a troca.

[1] Este empreendimento é extremamente enriquecedor atualmente quando se discute em Antropologia a noção de pessoa. As teses dumontianas tendem a englobar dentro de um modelo único as diferentes concepções de indivíduo nas sociedades tradicionais. Analisando a noção de pessoa nesta 3 sociedades, Geertz demonstra o quão elas podem ser diferentes. Geertz atirou no que viu, acertou; atirou no que não viu e também acertou.

domingo, 5 de agosto de 2007

41 EMPÁFIA NÃO LEVA A NADA

é... empáfia não leva a nada
Basile é um representante da geração campeã no questionável título mundial de 1978... substituiu dois treinadores - Bielsa e Peckerman - que estavam fazendo a Argentina jogar bonito, sem ponta-pés e até respeitando os adversários...
"Côco" Basile, querendo mostrar serviço e engasgado com os 4x1 que o Brasil sapecou na final da Copa das Confederações, quando pintou o jogo em Wembley, apostou no Olé - jornal esportivo portenho - "essa é prá ganhar de 4"... tomaram 3x0 em tarde irrepreensível do escrete brasileiro com atuação de gala de Elano, que fez dois gols. Até então, esse havia sido o maior feito da seleção sob o comando de Dunga.
Agora, na final da Copa América, com o time completo contra um Brasil reserva e com a oportunidade de duas revanches - devolver uma goleada e vencer a Copa América - los hermanos mais uma vez sucumbiram à força do futebol brasileiro. Novamente levaram um 3x0... em outra atuação perfeita do time brasileiro. A seleção de Dunga, muito questionada pela mídia esportiva, conquista seu primeiro título, em cima do maior rival, superando a si mesma.
E Nélson Rodrigues derruba Marx. Posto que o alemão sentenciou outrora que "a História só se repete como farsa", mas sabemos não ter sido algo forjado, fake, especialmente pela vontade de ganhar dos argentinos, ainda que ela não tenha aparecido no campo, na hora em que mais precisavam. Nem sempre uma repetição na História é farsa... Pois é, como diria o profeta tricolor, "toda unanimidade é burra"... todo mundo parecia antever uma grande vitória da Argentina. Mas eis que o futebol brasileiro é forte demais!!
Quem dera que essa força se mostrasse sempre e nunca mais repetisse a pífia atuação de 2006 - tendo em vista o potencial daquela seleção. Mas contra os hermanos, o futebol brasileiro está vivendo um momento de revanches históricas.
Passamos e demos uma distanciada do rival em número de vitórias, num total de 91 jogos, vencemos 36 vezes contra 33 dos hermanos e 22 empates, eles se mantém à frente em número de gols, mas encostamos, 146 a 145.
Mas ainda estamos muito atrás dos argentinos na Copa América... incluindo os jogos pelos campeonatos Sul-Americanos, foram 32 jogos, vencemos 9 vezes, empatamos 8 e fomos derrotados 15 vezes.
O futebol argentino também é uma potência, ambos, Brasil e Argentina, somos os maiores exportadores do material humano do futebol: o jogador. O futebol argentino está sofrendo uma síndrome bem conhecida por brasileiros da minha geração: a síndrome da abstinência de títulos mundiais - esperei 24 anos para ver o Brasil ser campeão mundial, parecia que sempre o Brasil ia perder e por isso valorizo muito a conquista de 1994. Que tinha como capitão esse mesmo Dunga. Em 2010 farão 24 anos do último título argentino, o futebol argentino - ainda bom demais - vive uma crise, mas nunca podemos descartar a Argentina. Seria burrice e empáfia.
Empáfia não leva a nada.

domingo, 29 de julho de 2007

26 MAPA ASTRAL

O mapa astral é um dos mais antigos instrumentos de autoconhecimento utilizado pelo Homem. A História da Astrologia confunde-se com a própria História da Humanidade. A relação entre o Homem e os Astros é o referencial fundamental na construção de visões de mundo que sustentam todas as culturas e sociedades do planeta. As noções de Deus - o conceito mais abrangente trabalhado pela consciência humana -, de finalidade da existência, de desenvolvimento espiritual, entre outras, estão intrinsecamente associados a esta relação Homem-Astros. Os místicos e os esotéricos (os Magos) consideram a relação Homem-Astros como a expressão de leis universais que dão conta do processo de manifestação e desenvolvimento da vida, do SER. Como falou Edgar Cayce, célebre médium norte-americano, em uma de suas leituras de vida:
"somos um deus a construir".
O simbolismo astrológico retrata a influência dos MITOS no psiquismo humano: o modo de ser, reagir, pensar, sentir, amar, relacionar, querer, afirmar, se comportar, agir, a personalidade, o temperamento, enfim, em toda uma complexidade daquilo a que denominamos Homem. Portanto, a Astrologia guarda, com a Psicologia Moderna, notadamente a psicologia de Carl G. Jung - muito mais do que a Astronomia, disciplina científica também originária da relação Homem-Astros - uma forte ligação. O Homem astrológico é o Homem que encarna MITOS. A expressão desses mitos são os doze signos zodiacais. Os signos representam padrões energéticos ou mitológicos específicos, são o macrocosmos que refletem no microcosmos - o Homem - seus talentos, suas tramas, seus dramas, suas vibrações. As configurações planetárias específicas do céu natal de um indivíduo representam a ativação, a afinação particular desse indivíduo. Podemos dizer, enfim, que o mapa astral é a foto do céu de nascimento e retrata o grande Mito de uma pessoa, o Mito que forma sua biografia. Ao sábio, que conhece as leis do Cosmos e de seu Grande Arquiteto, os astros revelam seus limites. Ao mediano, seu vaticínio.
“Conheça-te a ti mesmo” provérbio grego

quinta-feira, 19 de julho de 2007

6 TERAPIA FLORAL

É uma prática terapêutica de caráter predominantemente psicoterapêutico. Em busca de aprofundar os processos psicológicos de seu cliente, o terapeuta deve orientá-lo através de consultas regulares, periódicas, em que possa aferir com rigor e sistemática a ação dos florais em seu cliente - ‘indivíduo-agente’ de seu processo tera-pêutico. Contudo, algumas essências e fórmulas que fazem parte do repertório das essências florais, caíram, por assim dizer, em uma espécie de ‘domínio público alternativo’, e, mesmo sem a orientação adequada, as pessoas usam-nas, às vezes, indiscriminadamente. Apesar da autocura ser uma das bandeiras de Edward Bach (foto ao lado), médico bacteriologista e homeopata inglês e pai-fundador dos Florais, vale lembrar que a Terapia Floral, após o surgimento de vários sistemas no mundo inteiro, o que ampliou em muito o rol de essências e fórmulas disponíveis, alcança um nível de complexidade que passa a exigir uma cautela maior por parte de seus consumidores. Portanto, quando estiver usando um floral e não obtiver o efeito esperado da essência ou da fórmula, você pode estar lidando com uma necessidade de aprofundamento de suas questões e, neste caso, o auxílio de um terapeuta profissional é de vital importância, tanto por sua neutralidade relativa, quanto pelo conhecimento ampliado deste saber. Dessa forma, quando sentir a necessidade de usar um floral, CONSULTE UM TERAPEUTA!
Everton Cardoso - Terapeuta
Tel: 2244-2708