Este Blog é um Canal Transdisciplinar, portal de intercâmbio entre disciplinas acadêmicas e conhecimentos holísticos que fundamentam o trabalho terapêutico de Everton Cardoso Junior. Seu Canal para o Conhecimento que leva ao Autoconhecimento. Vejam meu Canal no YouTube www.youtube.com/c/iemc2 Sejam Bem-Vindos! Namastê (21) 99552-0700
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1458 CURSO DE FORMAÇÃO HOLÍSTICA - 2011/2012
CURSO DE FORMAÇÃO EM TERAPIAS HOLÍSTICAS
TURMA 2011-2012
TURMA 2011-2012
O Centro de Terapias Integradas é uma Instituição Formadora em Terapias Holísticas, que propõe um novo modelo de cuidar, tratar e perceber o Ser Humano a partir do paradigma Holístico que pressupõe a integração terapêutica.
De uma perspectiva Holística, o equilíbrio interno do Homem e sua interação organizada com a Natureza e o Cosmos representa o verdadeiro estado de saúde, posto que o equilíbrio individual sempre está remetido a um equilíbrio maior de vida, existência e consciência global. Para alcançar esse equilíbrio o indivíduo precisa trabalhar suas demandas energéticas-espirituais, psicológicas e biológicas.
É no contexto destas concepções que o Curso de Formação em Terapias Holísticas objetiva a capacitação de profissionais, terapeutas e indivíduos, conferindo-lhes instrumentos de ação terapêutica, bem como, dispositivos de pesquisa e análise de sua eficácia, através das diversas disciplinas que compõem um corpo de conhecimentos teóricos e práticos forjadores epistemológicos deste novo campo profissional na área da saúde.
Indo um pouco além, o Curso de Formação em Terapias Holísticas mais que um Curso em si é um caminho iniciático, porque o caminho do terapeuta é em si uma iniciação. Aquele quem fomenta o equilíbrio tem por obrigação cuidar de seu próprio equilíbrio. Tornar-se terapeuta exige, além da formação profissional, a experiência e uso contínuo de técnicas, práticas e conhecimentos milenares que constituem o fundamento de nossa Arte de Curar.
Disciplinas:
Racionalidades Médicas;
Ética Profissional;
Psicoterapia Holística;
Terapia Floral;
Reikiterapia;
Astrologia;
Radiestesia;
Cromoterapia;
Trofoterapia;
Terapia Mineral;
Técnicas Corporais; etc.
INÍCIO: 16 de ABRIL de 2011.
DURAÇÃO: 12 MESES.
HORÁRIO: 10:00 – 16:00 (1 SÁBADO POR MÊS).
COORDENADOR:
Everton Cardoso (21) 9552-0700
Antropólogo (UFRJ), Mestre em Saúde Coletiva (IMS/UERJ)
Psicoterapeuta Holístico, Astrólogo e Tarólogo
Professor e Escritor
MAIORES INFORMAÇÕES:
evertonyod@yahoo.com.br ou 9552-0700
domingo, 13 de dezembro de 2009
1358 CORPO E CULTURA
CORPO E CULTURA
Everton Cardoso
O desenvolvimento da Antropologia enquanto saber está intimamente relacionado ao conceito de Cultura. Quando tentamos definir Cultura, geralmente pensamos em suas manifestações visíveis, externas em relação ao indivíduo e que se manifesta através de seu comportamento, constituindo os hábitos, trajes, rituais, instituições, etc., de determinados grupos sociais e regiões que englobam estes indivíduos. Entretanto, uma das importantes contribuições – talvez a mais importante – da Antropologia está justamente em demonstrar o caráter virtual, invisível da Cultura, algo inerente ao próprio indivíduo, presente em sua mente, em seu aparato psíquico.
Tentando equacionar em seu discurso a postulação de uma unidade biológica da espécie humana e a questão da diversidade cultural – especialmente enfatizada a partir do advento de uma Antropologia experimental, a Etnografia -, o empreendimento antropológico apresenta a Cultura como o fator primordial de humanização do “bicho homem”, fator que torna estável as reações comportamentais – biológicas – desse homem, funcionando como um mecanismo adaptativo (Velho & Viveiros de Castro; 1980:16). Não obstante, esta humanização não se realiza universalmente de um modo único, ao contrário, sua objetivação ocorre sempre através de um modo de vida particular.
1357 CORPO E CULTURA
Assim,
“como os recentes estudos de etologia animal demonstraram (...), a clara variedade dos comportamentos culturais baseiam-se em certos mecanismos biológicos. Mas o que distingue o Humano é a elaboração particular sobre essa base natural”. (Velho & Viveiros de Castro; 1980:16-17).
Este mecanismo que humaniza o “bicho homem” é, por excelência, um instrumento de comunicação. Este entendimento veio marcar profundamente as teorias produzidas pela Antropologia sobre a noção de Cultura – principalmente a partir dos trabalhos de Claude Lévi-Strauss. De acordo com o etnólogo francês, Cultura define-se por um complexo conjunto de códigos que regem as ações coletivas de um determinado grupo.
1356 CORPO E CULTURA
Deste modo, a definição de Cultura enquanto código, isto é, enquanto um aparato de regras interpretativas que permitem ao indivíduo atribuir sentido ao mundo em que vive, nos remete à outra noção essencial para a Antropologia: a noção de sistema. Compreender Cultura como sistema significa perceber e valorizar a racionalidade específica de cada sociedade. Toda Cultura desenvolve um ‘corpo coerente’, um conjunto composto de regras, ‘costumes’, crenças, comportamentos, etc., que dá sentido às partes. Portanto, mais do que as manifestações externas, empíricas das atividades de uma sociedade, a Cultura é conjunto de regras inconscientes subjacentes a estas manifestações.
Tais códigos que organizam e conferem sentido ao mundo sensível e que constituem a Cultura consistem em representações, em aparelhos simbólicos comuns ao grupo. Como um mapa que orienta o comportamento do indivíduo, Cultura não se confunde com o território, é uma representação abstrata deste e que permite ao indivíduo decifrá-lo, dividi-lo, classifica-lo.
1355 CORPO E CULTURA
Cultura é uma rede que se aplica sobre um território originalmente indistinto, impondo cortes, estabelecendo contrastes, diferenças e relações, criando fronteiras artificiais em um campo naturalmente contínuo: Cultura cria significados.
Tomando como exemplo a classificação que as diferentes sociedades produzem acerca do espectro de cores, podemos perceber como se instituem tais cortes culturais. Se em um determinado grupo social não se distingue a cor verdes do azul, isto não significa que aqueles indivíduos não percebam ou não vejam a diferença entre ambas, mas sim, que essa diferença não possui significado socialmente construído e partilhado por eles. Assim, vemos também que a Cultura sendo um sistema de classificação atua de modo arbitrário ao atribuir sentido/significado ao mundo sensível, enquanto um conjunto de regras inconscientes de interpretação da realidade produz certas realidades.
1354 CORPO E CULTURA
Temos sempre a impressão de estarmos lidando com um mundo intrinsecamente ordenado, impressão de que “o mundo é assim porque têm que ser assim”, isto é, não conseguimos ter a percepção da arbitrariedade e nossa própria visão de mundo. Tudo parece se justiçar por uma razão lógica e plausível, pensamos que “as coisas são assim porque precisam ser assim”, o que invoca uma sensação de necessidade, de naturalidade.
Nossa Cultura produziu uma idéia de natureza como algo que escapa e se opõe a Cultura. Por exemplo, nada nos parece mais natural do que nosso corpo, nossas sensações corporais, os fenômenos biológicos que comandam nosso corpo; sempre nos parece que o que cai no terreno da biológica, da fisiologia corporal escapa à arbitrariedade da Cultura, estamos aí no terreno do universal, do que é igual para qualquer sociedade, qualquer grupo humano – onde “as coisas são assim porque têm de ser assim”. Entretanto, nenhuma ação humana pode ser explicada pelo simples pragmatismo. Nosso corpo, a maneira como o usamos, a maneira como dele falamos, a maneira de organizar nossas sensações corporais, tudo isso é atravessado pela Cultura da qual participamos, tudo isso é atravessado por valores culturais tão arbitrários como qualquer outro artefato cultural. Nosso corpo é uma realidade tão simbólica quanto física: nosso corpo também se presta a dar sentido ao mundo à nossa volta.
1353 CORPO E CULTURA
Alguns exemplos de hábitos relacionados ao corpo ou às necessidades corporais, que nos parecem naturais ou justificados pela necessidade, mostram que eles também possuem algo de gratuito, de arbitrário, que responde por seu sentido simbólico, por seu poder de dar sentido, de “fazer o mundo significar”.
Nosso primeiro exemplo é o ato de comer. Nada nos parece mais natural do que a necessidade de ingerir alimentos, no entanto, tudo o que envolve esta necessidade biológica é tão gratuito e arbitrário: o que comer, como, quando, com quem, aonde, etc. Ou seja, o ato de comer encerra um complexo ato classificatório. Vejamos:
1352 CORPO E CULTURA
1-O que se pode ou não comer:
Nem tudo se é permitido comer e esta interdição é obviamente variável em cada contexto social. O que é classificado como comida corresponde a uma classificação do mundo, da natureza e sobretudo do mundo animal (animais comestíveis, domésticos, puros, impuros, etc.), portanto define a relação do homem com a natureza.
1351 CORPO E CULTURA
2-Como se pode comer o que se é comestível:
O que pode ser comido deve ser preparado dentre 3 possibilidades – o alimento deve ser comido cru, cozido, ou preparado de alguma outra forma. Esta necessidade de preparação dos alimentos comestíveis implica em certo distanciamento da natureza, em uma necessidade de transformar o que vem da natureza em Cultura. Temos , portanto, novamente uma forma de classificação do mundo e da relação do homem com a natureza.
1350 CORPO E CULTURA
3- Quando se pode ou se deve comer o quê:
Certos alimentos considerados especiais estão relacionados a festividades e rituais, bem como a momentos do dia. São os diferentes tipos de alimentos ligados a um modo de dividir o tempo, de marcá-lo através do que se come nas diferentes fases do dia e da vida e que dão um valor diferencial às partes do dia e da vida que resultam dessa divisão.
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