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segunda-feira, 28 de julho de 2008

744 NOSSA NAVE

NOSSA ESCOLA PASSARÁ POR REFORMAS ... DEUSES TRABALHANDO ...
Com o processo civilizatório que desenvolveu uma sociedade tecnológica mas desconectada da natureza, engendrou-se o aquecimento global e o próximo passo é a subida das águas nas regiões litorâneas. A partir especialmente de 2011, quando Netuno entrar em seu signo de regência, Peixes, muitos locais estarão sob risco, não somente nos litorais mas em todas as regiões de cheias e enchentes. Alguns locais são centros geodésicos importantes. Entre as chapadas do Guimarães (Mato Grosso) e dos Veadeiros (Goiás) surgirão novas cidades e uma nova civilidade. Em muitos outros locais do planeta acontecerá o mesmo. Estamos mudando de nível. Todos nós. A era de Aquarius é a era da libertação coletiva. Deus nos espera dentro de nós. Namastê.

terça-feira, 6 de maio de 2008

611 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

O Triângulo São Lourenço

Alto Paraíso - Barra do Garças

A idéia de centro é uma realidade na tradição universal. Centros são Vórtices, Chakras, Mandalas. A dinâmica de centro é sagrada porque denota sínteses e confluências e, como tal, renovação e transformação, assim como certa superação potencial das próprias dimensões de tempo e espaço na Natureza. Em busca desta magia e transcendência, é que são identificados e organizados os pólos sagrados das civilizações.

A faixa geocósmica da Era de Aquário incide sobre o Brasil, mais exatamente, desde antes do Arquipélago de Fernando de Noronha (ou 30° O) até a altura de Manaus (60° O). Assim, se o Brasil ainda não “aconteceu”, é apenas porque a Nova Era não começou de todo, mas ascende literalmente ao poucos no horizonte como o Sol, a cada novo Equinócio de Primavera.

610 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

Nos conceitos de “novo céu” (tempo) e “nova terra” (espaço) das profecias, a linha central da Nova Era (centro cronodésico) passa por São Lourenço (45o O), também situada sobre o Trópico de Capricórnio (23o S); ao passo que o centro geodésico do país situa-se em Barra do Garças (52o O e 15o S), na fronteira do Estado de Mato Grosso com o Estado de Goiás.

Dentro desta importante faixa de sete graus (um número perfeito, portanto, chamado por Helena Blavatsky de “a escala da Natureza”), situa-se o meridiano 48, que é o “número da Terra”, segundo várias tradições, e que passa por Brasília e por Alto Paraíso (15o S). Assim, estas cidades seriam aptas a forjar uma coordenação espaço-temporal das coisas da Nova Era e da Nova Terra. Casualmente, Alto Paraíso possui, na sua entrada, um duplo-arco com suas metades (que podem ser relacionadas a tempo & espaço), separadas em sete metros uma da outra. As árvores que os centralizam, são como o símbolo da Tau sagrada que gera os ciclos dialéticos.

609 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

Na tradição de Sabedoria, a procura da harmonia espaço-temporal é uma constante. A realidade astronômica nem sempre conflui com exatidão com a realidade astrológica ou com sua geometria perfeita. Para sanar este problema, lança-se mão de diferentes recursos, tal como o dos chamados Dias Epagomenais, reunidos no final do ano “redondo” ou perfeito de 360 dias, e então consagrados a festas, quer dizer, retirados da rotina convencional do tempo.

Assim, Alto Paraíso significa não apenas o ponto de confluência entre tempo e espaço, como também a forma de harmonizar a diferença existente entre estes dois eixos dimensionais no país. De fato, os verdadeiros calendários não são apenas lunares ou apenas solares, mas soli-lunares. E nem se emprega comumente dois calendários diferentes, mas um só calendário duplo, sintético e flexível, que necessita de bastante ciência e discernimento na sua elaboração e manutenção.

608 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

Barra do Garças é o centro geodésico da Grande Civilização Brasileira, cujo ciclo avançará até o começo da vindoura Era de Capricórnio. Não obstante, não longe, no meridiano de 56° O e também no Mato Grosso, está o centro geodésico da própria América do Sul, entre a capital Cuiabá e a bela Chapada dos Guimarães.

607 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

São Lourenço é, no entanto, um centro cronodésico* cósmico por ora apenas simbólico, porque o Eixo Polar apenas incidirá sobre esta cidade dentro de uns mil anos. Não obstante, a linha central dos Signos Fixos, é dito ser uma “faixa de descenso avatárico”, segundo Dane Rudhyar. Quem sabe, quando chegar a hora, tal coisa aconteça, e para isto estaria sendo preparada.

606 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

Alto Paraíso é um centro cronodésico na evolução nacional, porque foi fundada há 260 anos, quer dizer, um Tzolkin-de-Anos, e também, após outro Tzolkin-de-Anos em relação à descoberta do país. Assim, esta localidade está se revelando como uma verdadeira Cidade-Portal, definindo os seus grandes ciclos sob a pauta das harmonias cósmicas, permitindo organizar calendários universais, ao modo da cidade sagrada de Tiwanaku nos Andes, situada nesta mesma latitude.

605 PÓLOS DIMENSIONAIS DO BRASIL

Heródoto transmitiu a tradição egípcia do ciclo-Fênix de 500 anos, quando acontece uma grande renovação das sociedades ou das civilizações. O fato foi fartamente observado pelos próprios egípcios e pelos povos vizinhos.

Os 500 anos de Brasil podem ser re-celebrados no ano de 2.020, ou no marco dos 520 anos, para se adequar aos ciclos Mayas, o chamado kaltun. Nas Américas em geral, porém, e como uma grande coincidência, esta referência cíclica da data de descoberta, o ano de 1.492, também coincidirá com o próprio celebrado 2.012 do final do calendário maia.

Da mesma forma, teremos o jubileu judaico de 50 anos, que é um fractal deste ciclo-Fênix para eventos menores, e que os antigos mexicanos observavam como 52 anos na cerimônia do “Fogo Novo”. Neste pequeno ciclo escatológico de uma geração, os povos renovavam as suas instituições, se desfaziam do supérfluo e se renivelavam socialmente. A nova capital do Brasil, Brasília, fundada em 1960, está, portanto, sob este marco histórico, podendo celebrar a sua renovação também em 2.012.

* A geodésia deriva do grego “geo” que significa terra, e “daio” que significa dividir. A geodésia se dedica a dividir geometricamente a terra e determinar formas e dimensões, dependendo daquilo que se vai estudar. Cronodésia é a medida e a divisão do tempo (“cronos”).

Adaptação do texto de:

Marco Anconi mac.anconi@gmail.com

Extraído de www.oobservador.com

http://www.oobservador.com/nova/ler.asp?cod=10156

terça-feira, 25 de março de 2008

473 A VINGANÇA DE GAIA

James Lovelock "QUANDO AGREDIDA A NATUREZA NÃO SE DEFENDE APENAS SE VINGA" EINSTEIN

472 JAMES LOVELOCK

James E. Lovelock

Nascido em 26 de julho de 1919, James Ephraim Lovelock é um pesquisador independente e ambientalista que vive na Cornualha (oeste da Inglaterra). A hipótese de Gaia foi sugerida por Lovelock, com base nos estudos de Lynn Margulis, para explicar o comportamento sistêmico do planeta Terra. A Terra é vista, nesta teoria, como um superorganismo.

Após estudar química na University of Manchester obteve um cargo no Medical Research Council do Institute for Medical Research em Londres.

Em 1948 obteve um Ph.D. em medicina no London School of Hygiene and Tropical Medicine. Tem conduzido pesquisas em Yale, Baylor University College of Medicine, e Harvard University.

Lovelock inventou muitos instrumentos científicos utilizados pela NASA para análise de atmosferas extraterrestres e superfície de planetas. Para Lovelock o contraste entre o equilíbrio estático da atmosfera de Marte (muito dióxido de carbono com pouquissímo oxigênio, metano e hidrogênio) e a mistura dinâmica da atmosfera da Terra é forte indicio da ausência de vida naquele planeta.

Em 1958 inventou o Detector de Captura de Elétrons, que auxiliou nas descobertas sobre a persistencia do CFC e seu papel no empobrecimento da camada de ozônio.

Energia Nuclear

Em 2004 surpreendeu ambientalistas ao afirmar que "Só a energia nuclear pode deter o aquecimento global". Para ele apenas a energia nuclear é uma alternativa realista aos combustíveis fósseis para suprir a enorme necessidade de energia da humanidade sem aumentar a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Tanto que sua atual proposta, inclui um intercambio hídrico de temperatura nos oceanos, usando as águas profundas do golfo como agente de transferência, procedimento que resultará no aquecimento do fundo e esfriamento da superfície, como a água fria é mais pesada, mesmo que a circulação do agente transferência esteja ao próprio nível do mar, a única energia disponível, além da energia eólica, é fissão nuclear controlada.

No momento propõe que sejam instalados enormes tubos no fundo do oceano. Não existe à nível mundial, nenhum parecer de biólogos em respostas ao projeto e nem a quantidade de urânio enriquecido que seriam necessárias.

Extinção da humanidade

Escrevendo no jornal britânico "The Independent" em janeiro de 2004, Lovelock afirma que como resultado do aquecimento global no final do século 21:

"Bilhões de nós morrerão e os poucos casais férteis de pessoas que sobreviverão estarão no Ártico onde o clima continuará tolerável"

Ele afirma que, pelo final do século, a temperatura média nas regiões temperadas aumentarão 8°C e nos trópicos até 5°C, tornando a maior parte das terras agriculturáveis do mundo inabitáveis e impróprias para a produção de alimentos.

"Temos que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve achar o melhor uso dos recursos que possue para sustentar a civilização o máximo de tempo que puderem".

Ponto de não retorno

Em janeiro de 2006 afirmou no "The Independent" que "o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver". Ele acredita que os esforços para conter o aquecimento global já não podem obter sucesso completo e a vida na Terra nunca mais será a mesma.

471 A VINGANÇA DE GAIA

A vingança de Gaia

Por James Lovelock. O autor é um dos mais renomados cientistas ambientais do mundo e membro da Royal Society, do Reino Unido. Ele diz que o efeito estufa chegou a um ponto sem retorno e que "bilhões" morrerão neste século. Especial para o jornal inglês 'The Independent'.

Imagine uma jovem policial que se sente totalmente realizada na sua vocação. Então, imagine-a tendo de dizer a uma família cujo filho estava desaparecido que ele foi encontrado morto, assassinado, num bosque vizinho. Ou pense num jovem médico que tem de lhe dizer que a sua biópsia revelou um tumor agressivo em metástase.

Médicos e policiais sabem que muitos aceitam a verdade simples e horrenda com dignidade, mas muitos tentam em vão negá-la. Nós livramos os juízes da terrível responsabilidade de aplicar a pena de morte, mas ao menos eles tinham algum conforto em suas freqüentes justificativas morais. Médicos e policiais não têm como escapar de seu dever.

Este artigo é o mais difícil que eu já escrevi, e pelas mesmas razões. Minha teoria de Gaia diz que Terra se comporta como se estivesse viva, e qualquer coisa viva pode gozar de boa saúde ou adoecer. Gaia me tornou um médico planetário e eu levo minha profissão a sério. Agora, também devo trazer as más notícias.

Boa parte das terras tropicais se tornará caatinga e deserto, e não servirá mais para regulação do clima; isso se soma aos 40% da superfície terrestre que nós já devastamos para produzir nosso alimento.

Curiosamente, a poluição por aerossóis no hemisfério Norte reduz o aquecimento global ao refletir a radiação solar de volta ao espaço. Esse "apagamento global" é transitório e pode desaparecer em poucos dias junto com a fumaça que o carrega, deixando-nos expostos ao calor da estufa global. Estamos num clima de loucos, resfriado acidentalmente pela fumaça, e antes do fim deste século bilhões de nós morreremos e os poucos casais férteis que sobreviverão estarão no Ártico, onde o clima continuará tolerável.

a noção de que há terras sobrando para plantar biocombustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula

.Tarefa impossível

Ao não perceber que a Terra regula seu clima e sua composição, nós cometemos a trapalhada de tentar fazê-lo nós mesmos, agindo como se estivéssemos no comando. Ao fazer isso, condenamos a nós mesmos ao pior estado de escravidão. Se escolhermos ser os guardiões da Terra, somos os responsáveis por manter a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre aptos para a vida. Uma tarefa que logo acharíamos impossível - e algo que, antes de termos tratado Gaia tão mal, ela fazia para nós.

Para entender o quão impossível é a tarefa, pense sobre como você regularia a sua temperatura e a composição do seu próprio sangue. Quem tem problemas renais conhece a dificuldade diária inesgotável de de ajustar sua ingestão de água, sal e proteínas. A muleta tecnológica da diálise ajuda, mas não é substituto para rins saudáveis.

Meu novo livro, "A Vingança de Gaia", expande essas idéias, mas você ainda pode perguntar por que a ciência demorou tanto para reconhecer a verdadeira natureza da Terra. Eu acho que é porque a visão de Darwin foi tão boa e tão clara que demorou até agora para que ela fosse digerida. No tempo dele, pouco se sabia sobre a química da atmosfera e dos oceanos, e teria havido pouca razão para que ele imaginasse que os organismos modificavam seu ambiente além de se adaptarem a ele. Se fosse sabido à época que a vida e o ambiente estão tão conjugados, Darwin teria visto que a evolução não envolve apenas os organismos, mas toda a superfície do planeta.

Nós então poderíamos ter enxergado a Terra como um sistema vivo, teríamos sabido que não podemos poluir o ar ou usar a pele da Terra -seus oceanos e sistemas florestais- como uma mera fonte de produtos para nos alimentar e mobiliar nossas casas. Teríamos sentido instintivamente que esses ecossistemas devem ser deixados intocados porque eles são parte da Terra viva.

Então, o que fazer? Primeiro, precisamos ter em mente a velocidade espantosa da mudança e nos dar conta do quão pouco tempo resta para agir. Então, cada comunidade e nação precisará usar da melhor forma os recursos que tem para sustentar a civilização o máximo que puderem. A civilização usa energia intensamente, e não podemos desligá-la de forma abrupta; é preciso ter a segurança de um declínio energético.

Aqui, nas ilhas britânicas, nós estamos acostumados a pensar em toda a humanidade e não apenas em nós; a mudança ambiental é global, mas precisamos lidar com as conseqüências dela aqui. Infelizmente nossa nação é tão urbanizada que se parece mais com uma grande cidade, e temos apenas uma área pequena de agricultura e florestas. Dependemos do mundo do comércio para o nosso sustento; e a mudança climática nos negará suprimentos constantes de comida e combustível do exterior.

Se fosse sabido à época que a vida e o ambiente estão tão conjugados, Darwin teria visto que a evolução não envolve apenas os organismos, mas toda a superfície do planeta

.Nós poderíamos produzir comida o bastante para nos alimentar na dieta da 2ª Guerra, mas a noção de que há terras sobrando para plantar biocombustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula. Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo -e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.

Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós. Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço, e começa a descobrir seu lugar no Universo.

Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então, sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e necessidades da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato nosso lar.

__________________________ James Lovelock lançou em 1979, a hipótese Gaia, de que o planeta se comporta como um organismo vivo. Seu novo livro, "A Vingança de Gaia", sai em fevereiro no Reino Unido

470 GAIA

Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz cientista

Por Jeff Goodell

James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível – e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século

Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. “Gostaria de ser mais esperançoso”, ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelo branco e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse – guerra, fome, pestilência e morte – parece deixá-lo animado. “Será uma época sombria”, reconhece. “Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante.”

Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas. “Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria”, sentencia Lovelock. “O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável.” Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes – Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica. Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius – quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. “Nosso futuro”, Lovelock escreveu, “é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane”. E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. “Verde”, ele me diz, só meio de piada, “é a cor do mofo e da corrupção.”

Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia – a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está “vivo”. Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é “uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade”. Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. “Jim é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado”, diz Branson. E completa: “Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção.” Lovelock sabe que prever o fim da civilização não é uma ciência exata. “Posso estar errado a respeito de tudo isso”, ele admite.

469 GAIA

“O problema é que todos os cientistas bem intencionados que argumentam que não estamos sujeitos a nenhum perigo iminente baseiam suas previsões em modelos de computador. Eu me baseio no que realmente está acontecendo.” Quando você se aproxima da casa de Lovelock em Devon, uma área rural no sudoeste da Inglaterra, a placa no portão de metal diz, claramente: “Estação Experimental de Coombe Mill. Local de um novo hábitat. Por favor, não entre nem incomode”. Depois de percorrer algumas centenas de metros em uma alameda estreita, ao lado de um moinho antigo, fica uma casinha branca com telhado de ardósia onde Lovelock mora com a segunda mulher, Sandy, uma norte-americana, e seu filho mais novo, John, de 51 anos e que tem incapacidade leve. É um cenário digno de conto de fadas, cercado de 14 hectares de bosques, sem hortas nem jardins com planejamento paisagístico. Parcialmente escondida no bosque fica uma estátua em tamanho natural de Gaia, a deusa grega da Terra, em homenagem à qual James Lovelock batizou sua teoria inovadora. A maior parte dos cientistas trabalha às margens do conhecimento humano, adicionando, aos poucos, nova informações para a nossa compreensão do mundo. Lovelock é um dos poucos cujas idéias fomentaram, além da revolução científica, também a espiritual. “Os futuros historiadores da ciência considerarão Lovelock como o homem que inspirou uma mudança digna de Copérnico na maneira como nos enxergamos no mundo”, prevê Tim Lenton, pesquisador de clima na Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Antes de Lovelock aparecer, a Terra era considerada pouco mais do que um pedaço de pedra aconchegante que dava voltas em torno do Sol. De acordo com a sabedoria em voga, a vida evoluiu aqui porque as condições eram adequadas: não muito quente nem muito frio, muita água. De algum modo, as bactérias se transformaram em organismos multicelulares, os peixes saíram do mar e, pouco tempo depois, surgiu Britney Spears. Na década de 1970, Lovelock virou essa idéia de cabeça para baixo com uma simples pergunta: Por que a Terra é diferente de Marte e de Vênus, onde a atmosfera é tóxica para a vida? Em um arroubo de inspiração, ele compreendeu que nossa atmosfera não foi criada por eventos geológicos aleatórios, mas sim devido à efusão de tudo que já respirou, cresceu e apodreceu. Nosso ar “não é meramente um produto biológico”, James Lovelock escreveu. “É mais provável que seja uma construção biológica: uma extensão de um sistema vivo feito para manter um ambiente específico.” De acordo com a teoria de Gaia, a vida é participante ativa que ajuda a criar exatamente as condições que a sustentam. É uma bela idéia: a vida que sustenta a vida. Também estava bem em sintonia com o tom pós-hippie dos anos 70. Lovelock foi rapidamente adotado como guru espiritual, o homem que matou Deus e colocou o planeta no centro da experiência religiosa da Nova Era. O maior erro de sua carreira, aliás, não foi afirmar que o céu estava caindo, mas deixar de perceber que estava. Em 1973, depois de ser o primeiro a descobrir que os clorofluocarbonetos (CFCs), um produto químico industrial, tinham poluído a atmosfera, Lovelock declarou que a acumulação de CFCs “não apresentava perigo concebível”. De fato, os CFCs não eram tóxicos para a respiração, mas estavam abrindo um buraco na camada de ozônio. Lovelock rapidamente revisou sua opinião, chamando aquilo de “uma das minhas maiores bolas fora”, mas o erro pode ter lhe custado um prêmio Nobel. No início, ele também não considerou o aquecimento global como uma ameaça urgente ao planeta. “Gaia é uma vagabunda durona”, ele explica com freqüência, tomando emprestada uma frase cunhada por um colega. Mas, há alguns anos, preocupado com o derretimento acelerado do gelo no Ártico e com outras mudanças relacionadas ao clima, ele se convenceu de que o sistema de piloto automático de Gaia está seriamente desregulado, tirado dos trilhos pela poluição e pelo desmatamento. Lovelock acredita que o planeta vai recuperar seu equilíbrio sozinho, mesmo que demore milhões de anos. Mas o que realmente está em risco é a civilização.

“É bem possível considerar seriamente as mudanças climáticas como uma resposta do sistema que tem como objetivo se livrar de uma espécie irritante: nós, os seres humanos”, Lovelock me diz no pequeno escritório que montou em sua casa. “Ou pelo menos fazer com que diminua de tamanho.” Se você digitar “gaia” e “religion” no Google, vai obter 2,36 milhões de páginas – praticantes de wicca, viajantes espirituais, massagistas e curandeiros sexuais, todos inspirados pela visão de Lovelock a respeito do planeta. Mas se você perguntar a ele sobre cultos pagãos, ele responde com uma careta: não tem interesse na espiritualidade desmiolada nem na religião organizada, principalmente quando coloca a existência humana acima de tudo o mais. Em Oxford, certa vez ele se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e “deixasse que Deus tomasse conta da Terra”. Como Lovelock explicou a ela, “se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar”. Gaia oferece uma visão cheia de esperança a respeito de como o mundo funciona. Afinal de contas, se a Terra é mais do que uma simples pedra que gira ao redor do sol, se é um superorganismo que pode evoluir, isso significa que existe certa quantidade de perdão embutida em nosso mundo – e essa é uma conclusão que vai irritar profundamente estudiosos de biologia e neodarwinistas de absolutamente todas as origens. Para Lovelock, essa é uma idéia reconfortante. Considere a pequena propriedade que ele tem em Devon. Quando ele comprou o terreno, há 30 anos, era rodeada por campos aparados por mil anos de ovelhas pastando. E ele se empenhou em devolver a seus 14 hectares um caráter mais próximo do natural. Depois de consultar um engenheiro florestal, plantou 20 mil árvores – amieiros, carvalhos, pinheiros. Infelizmente, plantou muitas delas próximas demais, e em fileiras. Agora, as árvores estão com cerca de 12 metros de altura, mas em vez de ter ar “natural”, partes do terreno dele parecem simplesmente um projeto de reflorestamento mal executado. “Meti os pés pelas mãos”, Lovelock diz com um sorriso enquanto caminhamos no bosque. “Mas, com o passar dos anos, Gaia vai dar um jeito.” Até pouco tempo atrás, Lovelock achava que o aquecimento global seria como sua floresta meia-boca – algo que o planeta seria capaz de corrigir. Então, em 2004, Richard Betts, amigo de Lovelock e pesquisador no Centro Hadley para as Mudanças Climáticas – o principal instituto climático da Inglaterra –, convidou-o para dar uma passada lá e bater um papo com os cientistas. Lovelock fez reunião atrás de reunião, ouvindo os dados mais recentes a respeito do gelo derretido nos pólos, das florestas tropicais cada vez menores, do ciclo de carbono nos oceanos. “Foi apavorante”, conta. “Mostraram para nós cinco cenas separadas de respostas positivas em climas regionais – polar, glacial, floresta boreal, floresta tropical e oceanos –, mas parecia que ninguém estava trabalhando nas conseqüências relativas ao planeta como um todo.” Segundo ele, o tom usado pelos cientistas para falar das mudanças que testemunharam foi igualmente de arrepiar: “Parecia que estavam discutindo algum planeta distante ou um universo-modelo, em vez do lugar em que todos nós, a humanidade, vivemos”. Quando Lovelock estava voltando para casa em seu carro naquela noite, a compreensão lhe veio. A capacidade de adaptação do sistema se perdera. O perdão fora exaurido. “O sistema todo”, concluiu, “está em modo de falha.” Algumas semanas depois, ele começou a trabalhar em seu livro mais pessimista, A Vingança de Gaia, publicado no Brasil em 2006. Na sua visão, as falhas nos modelos climáticos computadorizados são dolorosamente aparentes. Tome como exemplo a incerteza relativa à projeção do nível do mar: o IPCC, o painel da ONU sobre mudanças climáticas, estima que o aquecimento global vá fazer com que a temperatura média da Terra aumente até 6,4 graus Celsius até 2100. Isso fará com que geleiras em terra firme derretam e que o mar se expanda, dando lugar à elevação máxima do nível de mar de apenas pouco menos de 60 centímetros.

468 GAIA

A Groenlândia, de acordo com os modelos do IPCC, demorará mil anos para derreter. Mas evidências do mundo real sugerem que as estimativas do IPCC são conservadoras demais. Para começo de conversa, os cientistas sabem, devido aos registros geológicos, que há 3 milhões de anos, quando as temperaturas subiram cinco graus acima dos níveis atuais, os mares subiram não 60 centímetros, mas 24 metros. Além do mais, medidas feitas por satélite recentemente indicam que o Ártico está derretendo com tanta rapidez que a região pode ficar totalmente sem gelo até 2030. “Quem elabora os modelos não tem a menor noção sobre derretimento de placas de gelo”, desdenha o estudioso, sem sorrir. Mas não é apenas o gelo que invalida os modelos climáticos. Sabe-se que é difícil prever corretamente a física das nuvens, e fatores da biosfera, como o desmatamento e o derretimento da Tundra, raramente são levados em conta. “Os modelos de computador não são bolas de cristal”, argumenta Ken Caldeira, que elabora modelos climáticos na Universidade de Stanford, cuja carreira foi profundamente influenciada pelas idéias de Lovelock. “Ao observar o passado, fazemos estimativas bem informadas em relação ao futuro. Os modelos de computador são apenas uma maneira de codificar esse conhecimento acumulado em apostas automatizadas e bem informadas.” Aqui, em sua essência supersimplificada, está o cenário pessimista de Lovelock: o aumento da temperatura significa que mais gelo derreterá nos pólos, e isso significa mais água e terra. Isso, por sua vez, faz aumentar o calor (o gelo reflete o sol, a terra e a água o absorvem), fazendo com que mais gelo derreta. O nível do mar sobe. Mais calor faz com que a intensidade das chuvas aumente em alguns lugares e com que as secas se intensifiquem em outros. As florestas tropicais amazônicas e as grandes florestas boreais do norte – o cinturão de pinheiros e píceas que cobre o Alasca, o Canadá e a Sibéria – passarão por um estirão de crescimento, depois murcharão até desaparecer. O solo permanentemente congelado das latitudes do norte derrete, liberando metano, um gás que contribui para o efeito estufa e que é 20 vezes mais potente do que o CO2... e assim por diante. Em um mundo de Gaia funcional, essas respostas positivas seriam moduladas por respostas negativas, sendo que a maior de todas é a capacidade da Terra de irradiar calor para o espaço. Mas, a certa altura, o sistema de regulagem pára de funcionar e o clima dá um salto – como já aconteceu muitas vezes no passado – para uma nova situação, mais quente. Não é o fim do mundo, mas certamente é o fim do mundo como o conhecemos. O cenário pessimista de Lovelock é desprezado por pesquisadores de clima de renome, sendo que a maior parte deles rejeita a idéia de que haja um único ponto de desequilíbrio para o planeta inteiro. “Ecossistemas individuais podem falhar ou as placas de gelo podem entrar em colapso”, esclarece Caldeira, “mas o sistema mais amplo parece ser surpreendentemente adaptável.” No entanto, vamos partir do princípio, por enquanto, de que Lovelock esteja certo e que de fato estejamos navegando por cima das cataratas do Niagara. Simplesmente vamos acenar antes de cair? Na visão de Lovelock, reduções modestas de emissões de gases que contribuem para o efeito estufa não vão nos ajudar – já é tarde demais para deter o aquecimento global trocando jipões a diesel por carrinhos híbridos. E a idéia de capturar a poluição de dióxido de carbono criada pelas usinas a carvão e bombear para o subsolo? “Não há como enterrar quantidade suficiente para fazer diferença.” Biocombustíveis? “Uma idéia monumentalmente idiota.” Renováveis? “Bacana, mas não vão nem fazer cócegas.” Para Lovelock, a idéia toda do desenvolvimento sustentável é equivocada: “Deveríamos estar pensando em retirada sustentável”. A retirada, na visão dele, significa que está na hora de começar a discutir a mudança do lugar onde vivemos e de onde tiramos nossos alimentos; a fazer planos para a migração de milhões de pessoas de regiões de baixa altitude, como Bangladesh, para a Europa; a admitir que Nova Orleans já era e mudar as pessoas para cidades mais bem posicionadas para o futuro.

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E o mais importante de tudo é que absolutamente todo mundo “deve fazer o máximo que pode para sustentar a civilização, de modo que ela não degenere para a Idade das Trevas, com senhores guerreiros mandando em tudo, o que é um perigo real. Assim, podemos vir a perder tudo”. Até os amigos de Lovelock se retraem quando ele fala assim. “Acho que ele está deixando nossa cota de desespero no negativo”, diz Chris Rapley, chefe do Museu de Ciência de Londres, que se empenhou com afinco para despertar a consciência mundial sobre o aquecimento global. Outros têm a preocupação justificada de que as opiniões de Lovelock sirvam para dispersar o momento de concentração de vontade política para impor restrições pesadas às emissões de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa. Broecker, o paleoclimatologista de Columbia, classifica a crença de Lovelock de que reduzir a poluição é inútil como “uma bobagem perigosa”. “Eu gostaria de poder dizer que turbinas de vento e painéis solares vão nos salvar”, Lovelock responde. “Mas não posso. Não existe nenhum tipo de solução possível. Hoje, há quase 7 bilhões de pessoas no planeta, isso sem falar nos animais. Se pegarmos apenas o CO2 de tudo que respira, já é 25% do total – quatro vezes mais CO2 do que todas as companhias aéreas do mundo. Então, se você quer diminuir suas emissões, é só parar de respirar. É apavorante. Simplesmente ultrapassamos todos os limites razoáveis em números. E, do ponto de vista puramente biológico, qualquer espécie que faz isso tem que entrar em colapso.” Mas isso não é sugerir, no entanto, que Lovelock acredita que deveríamos ficar tocando harpa enquanto assistimos o mundo queimar. É bem o contrário. “Precisamos tomar ações ousadas”, ele insiste. “Temos uma quantidade enorme de coisas a fazer.” De acordo com a visão dele, temos duas escolhas: podemos retornar a um estilo de vida mais primitivo e viver em equilíbrio com o planeta como caçadores-coletores ou podemos nos isolar em uma civilização muito sofisticada, de altíssima tecnologia. “Não há dúvida sobre que caminho eu preferiria”, diz certa manhã, em sua casa, com um sorriso aberto no rosto enquanto digita em seu computador. “Realmente, é uma questão de como organizamos a sociedade – onde vamos conseguir nossa comida, nossa água. Como vamos gerar energia.” Em relação à água, a resposta é bem direta: usinas de dessalinização, que são capazes de transformar água do mar em água potável. O suprimento de alimentos é mais difícil: o calor e a seca vão acabar com a maior parte das regiões de plantações de alimentos hoje existentes. Também vão empurrar as pessoas para o norte, onde vão se aglomerar em cidades. Nessas áreas, não haverá lugar para quintais ajardinados. Como resultado, Lovelock acredita, precisaremos sintetizar comida – teremos que criar alimentos em barris com culturas de tecidos de carnes e vegetais. Isso parece muito exagerado e profundamente desagradável, mas, do ponto de vista tecnológico, não será difícil de realizar. O fornecimento contínuo de eletricidade também será vital, segundo ele. Cinco dias depois de visitar o centro Hadley, Lovelock escreveu um artigo opinativo polêmico, intitulado: “Energia nuclear é a única solução verde”. Lovelock argumentava que “devemos usar o pequeno resultado dos renováveis com sensatez”, mas que “não temos tempo para fazer experimentos com essas fontes de energia visionárias; a civilização está em perigo iminente e precisa usar a energia nuclear – a fonte de energia mais segura disponível – agora ou sofrer a dor que em breve será infligida a nosso planeta tão ressentido”. Ambientalistas urraram em protesto, mas qualquer pessoa que conhecia o passado de Lovelock não se surpreendeu com sua defesa à energia nuclear. Aos 14 anos, ao ler que a energia do sol vem de uma reação nuclear, ele passou a acreditar que a energia nuclear é uma das forças fundamentais no universo. Por que não aproveitá-la?

No que diz respeito aos perigos – lixo radioativo, vulnerabilidade ao terrorismo, desastres como o de Chernobyl – Lovelock diz que este é dos males o menos pior: “Mesmo que eles tenham razão a respeito dos perigos, e não têm, continua não sendo nada na comparação com as mudanças climáticas”. Como último recurso, para manter o planeta pelo menos marginalmente habitável, Lovelock acredita que os seres humanos podem ser forçados a manipular o clima terrestre com a construção de protetores solares no espaço ou instalando equipamentos para enviar enormes quantidades de CO2 para fora da atmosfera. Mas ele considera a geoengenharia em larga escala como um ato de arrogância – “Imagino que seria mais fácil um bode se transformar em um bom jardineiro do que os seres humanos passarem a ser guardiões da Terra”. Na verdade, foi Lovelock que inspirou seu amigo Richard Branson a oferecer um prêmio de US$ 25 milhões para o “Virgin Earth Challenge” (Desafio Virgin da Terra), que será concedido à primeira pessoa que conseguir criar um método comercialmente viável de remover os gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Lovelock é juiz do concurso, por isso não pode participar dele, mas ficou intrigado com o desafio. Sua mais recente idéia: suspender centenas de milhares de canos verticais de 18 metros de comprimento nos oceanos tropicais, colocar uma válvula na base de cada cano e permitir que a água das profundezas, rica em nutrientes, seja bombeada para a superfície pela ação das ondas. Os nutrientes das águas das profundezas aumentariam a proliferação das algas, que consumiriam o dióxido de carbono e ajudariam a resfriar o planeta. “É uma maneira de contrabalançar o sistema de energia natural da Terra usando ele próprio”, Lovelock especula. “Acho que Gaia aprovaria.” Oslo é o tipo perfeito de cidade para Lovelock. Fica em latitudes do norte, que ficarão mais temperadas na medida em que o clima for esquentando; tem água aos montes; graças a suas reservas de petróleo e gás, é rica; e lá já há muito pensamento criativo relativo à energia, incluindo, para a satisfação de Lovelock, discussões renovadas a respeito da energia nuclear. “A questão principal a ser discutida aqui é como manejar as hordas de pessoas que chegarão à cidade”, Lovelock avisa. “Nas próximas décadas, metade da população do sul da Europa vai tentar se mudar para cá.” Nós nos dirigimos para perto da água, passando pelo castelo de Akershus, uma fortaleza imponente do século 13 que funcionou como quartel-general nazista durante a ocupação da cidade na Segunda Guerra Mundial. Para Lovelock, os paralelos entre o que o mundo enfrentou naquela época e o que enfrenta hoje são bem claros. “Em certos aspectos, é como se estivéssemos de novo em 1939”, ele afirma. “A ameaça é óbvia, mas não conseguimos nos dar conta do que está em jogo. Ainda estamos falando de conciliação.” Naquele tempo, como hoje, o que mais choca Lovelock é a ausência de liderança política. Apesar de respeitar as iniciativas de Al Gore para conscientizar as pessoas, não acredita que nenhum político tenha chegado perto de nos preparar para o que vem por aí. “Em muito pouco tempo, estaremos vivendo em um mundo desesperador, comenta Lovelock. Ele acredita que está mais do que na hora para uma versão “aquecimento global” do famoso discurso que Winston Churchill fez para preparar a Grã-Bretanha para a Segunda Guerra Mundial: “Não tenho nada a oferecer além de sangue, trabalho, lágrimas e suor”. “As pessoas estão prontas para isso”, Lovelock dispara quando passamos sob a sombra do castelo. “A população entende o que está acontecendo muito melhor do que a maior parte dos políticos.”

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Independentemente do que o futuro trouxer, é provável que Lovelock não esteja por aí para ver. “O meu objetivo é viver uma vida retangular: longa, forte e firme, com uma queda rápida no final”, sentencia. Lovelock não apresenta sinais de estar se aproximando de seu ponto de queda. Apesar de já ter passado por 40 operações, incluindo ponte de safena, continua viajando de um lado para o outro no interior inglês em seu Honda branco, como um piloto de Fórmula 1.

Ele e Sandy recentemente passaram um mês de férias na Austrália, onde visitaram a Grande Barreira de Corais. O cientista está prestes a começar a escrever mais um livro sobre Gaia. Richard Branson o convidou para o primeiro vôo do ônibus espacial Virgin Galactic, que acontecerá no fim do ano que vem – “Quero oferecer a ele a visão de Gaia do espaço”, diz Branson. Lovelock está ansioso para fazer o passeio, e planeja fazer um teste em uma centrífuga até o fim deste ano para ver se seu corpo suporta as forças gravitacionais de um vôo espacial. Ele evita falar de seu legado, mas brinca com os filhos dizendo que quer ver gravado na lápide de seu túmulo: “Ele nunca teve a intenção de ser conciliador”. Em relação aos horrores que nos aguardam, Lovelock pode muito bem estar errado. Não por ter interpretado a ciência erroneamente (apesar de isso certamente ser possível), mas por ter interpretado os seres humanos erroneamente. Poucos cientistas sérios duvidam que estejamos prestes a viver uma catástrofe climática. Mas, apesar de toda a sensibilidade de Lovelock para a dinâmica sutil e para os ciclos de resposta no sistema climático, ele se mostra curiosamente alheio à dinâmica sutil e aos ciclos de resposta no sistema humano. Ele acredita que, apesar dos nossos iPhones e dos nossos ônibus espaciais, continuamos sendo animais tribais, amplamente incapazes de agir pelo bem maior ou de tomar decisões de longo prazo que garantam nosso bem-estar. “Nosso progresso moral”, diz Lovelock, “não acompanhou nosso progresso tecnológico.” Mas talvez seja exatamente esse o motivo do apocalipse que está por vir. Uma das questões que fascina Lovelock é a seguinte: A vida vem evoluindo na Terra há mais de 3 bilhões de anos – e por que motivo? “Gostemos ou não, somos o cérebro e o sistema nervoso de Gaia”, ele explica. “Agora, assumimos responsabilidade pelo bem-estar do planeta. Como vamos lidar com isso?” Enquanto abrimos caminho no meio dos turistas que se dirigem para o castelo, é fácil olhar para eles e ficar triste. Mais difícil é olhar para eles e ter esperança. Mas quando digo isso a Lovelock, ele argumenta que a raça humana passou por muitos gargalos antes – e que talvez sejamos melhores por causa disso. Então ele me conta a história de um acidente de avião, anos atrás, no aeroporto de Manchester. “Um tanque de combustível pegou fogo durante a decolagem”, recorda. “Havia tempo de sobra para todo mundo sair, mas alguns passageiros simplesmente ficaram paralisados, sentados nas poltronas, como tinham lhes dito para fazer, e as pessoas que escaparam tiveram que passar por cima deles para sair. Era perfeitamente óbvio o que era necessário fazer para sair, mas eles não se mexiam. Morreram carbonizados ou asfixiados pela fumaça. E muita gente, fico triste em dizer, é assim. E é isso que vai acontecer desta vez, só que em escala muito maior.” Lovelock olha para mim com olhos azuis muito firmes. “Algumas pessoas vão ficar sentadas na poltrona sem fazer nada, paralisadas de pânico. Outras vão se mexer. Vão ver o que está prestes a acontecer, e vão tomar uma atitude, e vão sobreviver. São elas que vão levar a civilização em frente.” (Tradução de Ana Ban)

publicado na revista Rolling Stone